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Quais são os benefícios e os malefícios dos medicamentos utilizados para tratar a tensão arterial ligeiramente elevada?

4 weeks 1 day ago
Mensagens-chave
  • Em pessoas com tensão arterial ligeiramente elevada, mas que não sofrem de doenças cardiovasculares (por exemplo, ataques cardíacos) ou outros riscos de saúde relacionados (por exemplo, diabetes), os medicamentos para baixar a tensão arterial podem não reduzir o risco de morte ou o risco de desenvolver doenças cardiovasculares (coração e vasos sanguíneos) graves.

  • Os medicamentos para baixar a tensão arterial podem reduzir o risco de AVC, mas também podem aumentar o risco de efeitos indesejáveis que resultam na suspensão do estudo.

  • É necessária investigação adicional para compreender os efeitos dos medicamentos para baixar a tensão arterial em pessoas com tensão arterial ligeiramente elevada sem doença cardiovascular ou outros riscos relacionados com a saúde (por exemplo, diabetes).

O que é a hipertensão?

A hipertensão é a pressão arterial consistentemente elevada.

Como é que a hipertensão é tratada?

Dependendo da gravidade da hipertensão de um indivíduo e de outras condições médicas que possa ter, a hipertensão pode ser tratada com um estilo de vida saudável, incluindo dieta e atividade física regular. Também é frequente serem prescritos medicamentos.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber os benefícios e os riscos dos medicamentos que baixam a tensão arterial prescritos a pessoas com hipertensão ligeira (tensão arterial sistólica 140 a 159 mmHg, tensão arterial diastólica 90 a 99 mmHg) e que não sofriam de doenças cardiovasculares (coração e vasos sanguíneos) graves ou de outros riscos de saúde relacionados.

O que fizemos?

Procurámos estudos sobre medicamentos para baixar a tensão arterial em pessoas com hipertensão ligeira para saber se estes reduzem o risco de morte e de doenças cardiovasculares graves (incluindo acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos). Também analisámos o risco de efeitos indesejáveis. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência com base em fatores como a metodologia e o tamanho dos estudos.

O que descobrimos?

Incluímos cinco estudos que envolveram um total de 9.124 pessoas, 4.593 que receberam medicamentos para baixar a pressão arterial e 4.531 que receberam placebo (tratamento simulado) ou nenhum tratamento. Descobrimos que os medicamentos podem não reduzir o risco de morte ou de doenças cardiovasculares graves. Os medicamentos para baixar a tensão arterial podem reduzir o risco de AVC, mas também podem aumentar o risco de efeitos indesejáveis que resultam na suspensão do estudo.

Principais resultados

O benefício de um menor risco de AVC com medicamentos para a tensão arterial em pessoas com hipertensão ligeira e sem outras doenças cardíacas ou condições que aumentem o risco de doenças cardiovasculares tem de ser ponderado em relação aos efeitos indesejáveis destes medicamentos.

Quais são as limitações da evidência?

Temos pouca confiança na evidência porque os estudos não abrangeram todas as pessoas em que estávamos interessados; os estudos eram muito pequenos; e não havia estudos suficientes para ter a certeza sobre os resultados. Um dos estudos que demonstrou uma redução do risco de AVC foi realizado em pessoas com doença renal, pelo que pode não ser aplicável a todas as pessoas com hipertensão ligeira. Apenas um estudo relatou efeitos indesejáveis dos medicamentos.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até junho de 2024.

Wang D, Wright JM, Adams SP, Cundiff DK, Gueyffier F, Grenet G, Ambasta A

Quais são os benefícios e os riscos dos suplementos de ómega-3 no tratamento de lesões nervosas em adultos com diabetes?

4 weeks 1 day ago
Mensagens-chave
  • Muito poucos ensaios clínicos avaliaram os benefícios e os malefícios dos suplementos de ácidos gordos ómega 3 no tratamento das lesões dos nervos periféricos (lesões dos nervos fora do cérebro e da espinal medula) associadas à diabetes.

  • São ainda necessários estudos maiores e melhor desenhados para compreender se os suplementos de ácidos gordos ómega-3 podem reduzir o risco de desenvolver deficiências, como a perda de funções ou capacidades normais, e sintomas associados a lesões nervosas em pessoas com diabetes.

  • Poderá haver pouca ou nenhuma diferença entre os suplementos de ácidos gordos ómega-3 e o placebo (tratamento “simulado”) na ocorrência de efeitos secundários indesejáveis entre as pessoas com diabetes, quando o tratamento é tomado ao longo de seis meses, mas estamos muito incertos quanto aos resultados.

O que é a polineuropatia simétrica distal difusa?

A polineuropatia simétrica distal difusa é uma doença dos nervos que pode ocorrer em pessoas com diabetes. Afeta os nervos que transmitem a sensação e os nervos que controlam os movimentos musculares. Os sintomas mais comuns incluem formigueiro, ardor, dormência e dor nas mãos e nos pés. As pessoas com esta doença podem também sofrer de fraqueza muscular, perda de reflexos, feridas ou úlceras nos pés que não cicatrizam bem, ou perda de sensibilidade nas mãos e nos pés, o que pode afetar a coordenação e a marcha.

Como é tratada a polineuropatia simétrica distal difusa?

A polineuropatia simétrica distal difusa é atualmente tratada através do controlo dos sintomas, como a dor, e da prevenção de mais lesões nervosas, controlando os níveis de açúcar no sangue através de dieta, exercício e medicamentos para a diabetes. Atualmente, não existem tratamentos que possam prevenir, reverter ou curar eficazmente a lesão do nervo em si.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir se os suplementos orais de ómega-3 eram melhores do que o tratamento com placebo ou nenhum tratamento para melhorar a incapacidade e os sintomas associados a lesões nervosas na diabetes.

O que fizemos?

Procurámos ensaios clínicos que analisaram suplementos de ómega-3, em comparação com placebo ou nenhum tratamento, em adultos com diabetes com polineuropatia simétrica distal difusa. Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e classificamos a nossa confiança na evidência com base em fatores como métodos e tamanhos de estudo.

O que descobrimos?

Encontrámos dois estudos que, em conjunto, envolveram 87 pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2, que receberam suplementos de ómega-3 ou um tratamento com placebo durante seis meses.

Em comparação com o tratamento com placebo, os suplementos de ácidos gordos ómega-3 tomados durante seis meses podem fazer pouca ou nenhuma diferença no comprometimento da neuropatia periférica, nos sintomas da neuropatia periférica ou no bem-estar. Embora não seja um dos principais resultados desta revisão, é possível que os suplementos de ómega-3 possam melhorar a saúde dos nervos na córnea (a parte transparente da frente do olho) em comparação com os suplementos placebo. No entanto, estas conclusões baseiam-se nos resultados de um único ensaio clínico, uma vez que o segundo ensaio não estudou este resultado. Consequentemente, não sabemos ao certo se estes resultados são generalizáveis a todas as pessoas com diabetes ou até que ponto quaisquer benefícios podem ser clinicamente significativos.

Os suplementos de ácidos gordos ómega-3 podem não causar mais efeitos indesejáveis em comparação com o tratamento com placebo, mas estamos muito inseguros quanto aos resultados.

Quais são as limitações da evidência?

Temos pouca confiança na evidência, uma vez que apenas dois ensaios clínicos avaliaram os benefícios e os danos da suplementação com ómega-3 no tratamento de lesões nervosas em adultos com diabetes, e ambos os estudos envolveram apenas um pequeno número de pessoas. Apenas um dos dois estudos estava disponível como publicação científica e era o único estudo que fornecia dados sobre as medidas de eficácia em que estávamos interessados. Mais evidência pode muito bem alterar estes resultados.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até junho de 2024.

Britten-Jones AC, Linstrom TA, Makrai E, Singh S, Busija L, MacIsaac RJ, Roberts LJ, Downie LE

Que medicamentos, tomados por via oral ou injetados, funcionam melhor para tratar a psoríase em placas (uma condição de pele com manchas elevadas)?

4 weeks 1 day ago
Mensagens-chave
  • Após seis meses de tratamento, os medicamentos chamados "biológicos" parecem funcionar melhor para eliminar as manchas elevadas de psoríase na pele.

  • São necessários estudos mais longos para avaliar os benefícios e os potenciais efeitos indesejáveis de um tratamento mais longo com medicamentos injetáveis ou administrados por via oral para tratar a psoríase.

  • São necessários mais estudos que comparem diretamente estes tipos de medicamentos entre si.

O que é a psoríase?

O sistema imunitário mantém os germes e outras substâncias estranhas fora do corpo e destrói as que entram. A psoríase é uma doença imunitária em que o sistema imunitário não funciona como deveria. A psoríase afeta a pele e, por vezes, as articulações. A psoríase acelera a produção de novas células da pele, que se acumulam para formar manchas elevadas na pele, conhecidas como "placas". As placas podem ser escamosas, com prurido e avermelhadas na pele branca e manchas mais escuras nos tons de pele mais escuros. A psoríase em placas é a forma mais comum de psoríase.

Como é que a psoríase é tratada?

Os tratamentos dependem da gravidade dos sintomas. Cerca de uma em cada 10 a duas em cada 10 pessoas com psoríase moderada ou grave terão de tomar medicamentos que afetam o sistema imunitário para ajudar a controlar a psoríase. Estes medicamentos são chamados tratamentos sistémicos, porque afetam todo o organismo. Estes são normalmente tomados por via oral ou injetados.

Porque é que fizemos esta revisão Cochrane?

Existem três tipos diferentes de medicamentos sistémicos para tratar a psoríase.

  • "Biológicos" - proteínas, como os anticorpos, que têm como alvo as interleucinas e as citocinas (partes do sistema imunitário que afetam o comportamento das células).

  • Tratamentos sintéticos direcionados - medicamentos produzidos por seres humanos que afetam as células imunitárias (por exemplo, apremilast).

  • Medicamentos não direcionados - medicamentos utilizados há muito tempo no tratamento da psoríase, como o metotrexato, a ciclosporina e os retinoides.

Queríamos compreender os benefícios e os potenciais efeitos indesejáveis de tomar medicamentos sistémicos para tratar a psoríase, e ver se alguns medicamentos funcionam melhor do que outros.

O que fizemos?

Procurámos estudos que testaram medicamentos sistémicos em adultos com psoríase em placas moderada a grave.

O que encontrámos?

Encontrámos 204 estudos, incluindo 26 novos estudos desde a nossa última pesquisa em julho de 2024. Os estudos testaram 26 medicamentos diferentes, abrangendo 67.889 adultos com psoríase (idade média de 44,4 anos) e tiveram uma duração de dois a seis meses. Dos 177 estudos que indicaram a sua fonte de financiamento, 157 foram financiados por empresas farmacêuticas e 27 não indicaram a fonte de financiamento.

A maioria dos estudos compararam os medicamentos sistémicos com um placebo (um tratamento inativo que não contém qualquer medicamento, mas que parece idêntico ao medicamento que está a ser testado). Utilizaram uma escala de medição comum denominada Índice de Gravidade da Área de Psoríase para comparar a forma como cada medicamento eliminava as placas de psoríase da pele, procurando uma melhoria de 90%. Poucos estudos referiram o bem-estar das pessoas.

Comparámos todos os medicamentos entre si.

Quais são os principais resultados da nossa revisão?

Todos os medicamentos testados funcionaram melhor do que um placebo no tratamento da psoríase, quando medido como uma melhoria de 90% no Índice de Gravidade da Área de Psoríase.

Os medicamentos biológicos (que tinham como alvo moléculas denominadas interleucinas 17, 23, 12/23 e a citocina TNF-alfa) trataram a psoríase melhor do que os tratamentos sintéticos dirigidos e os medicamentos não dirigidos.

Em comparação com o placebo, cinco medicamentos biológicos funcionaram melhor no tratamento da psoríase, com poucas diferenças entre eles:

  • infliximab (tem como alvo o TNF-alfa);

  • ixekizumab, bimekizumab, xeligekimab (têm como alvo a interleucina-17); e

  • risankizumab (tem como alvo a interleucina-23).

Não encontrámos evidência de uma diferença no número de acontecimentos indesejáveis graves para todos os medicamentos sistémicos testados quando comparados com um placebo. No entanto, os estudos não apresentaram de forma consistente resultados sobre danos, tais como acontecimentos indesejáveis graves. Por conseguinte, não temos certezas quanto a esta questão.

Limitações da evidência

Descobrimos que, em comparação com o placebo, os medicamentos biológicos infliximab, xeligekimab, bimekizumab, ixekizumab e risankizumab foram os tratamentos mais eficazes para alcançar uma melhoria de 90% no Índice de Gravidade da Área de Psoríase em pessoas com psoríase moderada a grave. Estamos confiantes nos nossos resultados para o bimekizumab e moderadamente confiantes nos nossos resultados para o infliximab, ixekizumab, xeligekimab e risankizumab.

Estamos menos confiantes nos nossos resultados relativamente aos acontecimentos indesejáveis graves, devido ao número reduzido de casos notificados.

Também estamos menos confiantes nos resultados relativos aos medicamentos não-alvo devido a preocupações sobre a forma como alguns dos estudos foram conduzidos. É provável que novos estudos venham a alterar estes resultados.

Não encontrámos muitos estudos para alguns dos 26 medicamentos incluídos na nossa revisão. As pessoas que participaram nos estudos tinham frequentemente psoríase grave no início do estudo, pelo que os nossos resultados podem não ser úteis para pessoas cuja psoríase é menos grave. Os nossos resultados referem-se apenas ao tratamento com medicamentos sistémicos durante um período máximo de seis meses.

Quão atualizada se encontra esta revisão?

Incluímos estudos até julho de 2024.

Nota editorial: esta é uma revisão sistemática viva. As revisões sistemáticas vivas oferecem uma nova abordagem à atualização de revisões, na qual a revisão é continuamente atualizada, incorporando evidência nova relevante à medida que a mesma se torna disponível.

Sbidian E, Chaimani A, Guelimi R, Tai CC, Beytout Q, Choudhary C, Mubuanga Nkusu A, Ollivier C, Samaran Q, Hughes C, Afach S, Le Cleach L

Quão eficazes são vacinas contra o papilomavírus humano para as mulheres que foram submetidas a um procedimento cirúrgico para remover células anormais do colo do útero, e se têm efeitos indesejáveis?

4 weeks 1 day ago
Mensagens-chave
  • A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização (remoção de um cone de tecido que contém células anormais, também conhecida como biópsia de cone) pode reduzir o risco de alterações celulares pré-cancerosas do colo do útero (principalmente CIN 2+).

  • Devido a limitações nos dados, não temos a certeza se a vacinação contra o HPV (administrada pouco antes, durante ou após a conização), em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização, afeta o risco de cancro do colo do útero ou a infeção persistente pelo HPV.

  • São necessários mais estudos de elevada qualidade para avaliar a eficácia e os efeitos indesejáveis da vacinação contra o HPV em mulheres com conização. Estes ensaios devem também ter em conta grupos específicos, como as mulheres que já tinham sido vacinadas contra o HPV e os diferentes grupos etários.

O que é o papilomavírus humano e como é tratado?

O cancro do colo do útero é o quarto cancro mais comum que afeta mulheres em todo o mundo. É causada por uma infeção persistente com tipos específicos de papilomavírus humano (HPV). Embora as infeções por HPV sejam comuns e normalmente desapareçam sem qualquer problema, as infeções persistentes por HPV podem progredir para alterações celulares anormais no colo do útero (ou seja, condições pré-cancerosas), denominadas neoplasia intra-epitelial cervical (CIN). Estas condições pré-cancerosas podem ser classificadas em lesões de baixo grau (designadas CIN 1) e lesões de alto grau (designadas CIN 2 e CIN 3). Enquanto as lesões de baixo grau geralmente diminuem espontaneamente sem tratamento, as lesões de alto grau têm uma maior probabilidade de progredir para cancro do colo do útero. O CIN 3 corresponde ao carcinoma in situ (células anormais confinadas ao local onde surgiram inicialmente) e ao adenocarcinoma in situ (células anormais que se deslocaram para as glândulas); é bem aceite que estes precedem imediatamente o cancro do colo do útero.

Existem mais de 200 tipos de HPV e mais de 40 deles infetam a zona genital. Sete em cada 10 cancros do colo do útero são causados pelos tipos 16 e 18 do HPV. As mulheres diagnosticadas com CIN 2 e CIN 3 são normalmente consideradas para conização cervical (também conhecida como biópsia em cone), um procedimento cirúrgico para remover células anormais e evitar a progressão para cancro do colo do útero.

Na Europa, existem três vacinas contra o HPV aprovadas: uma vacina bivalente (que protege contra dois tipos de HPV), uma quadrivalente (que protege contra quatro tipos de HPV) e uma nonavalente (que protege contra nove tipos de HPV). A vacina contra o HPV é utilizada para prevenir o cancro do colo do útero, mas a sua eficácia nas mulheres com conização continua a ser incerta. De notar que utilizamos o termo "com conização" de forma indistinta para nos referirmos a sempre que a vacinação contra o HPV foi administrada na altura do procedimento de conização, ou seja, antes, durante ou após o procedimento.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber quão eficaz é a vacina contra o HPV nas mulheres que fizeram ou fazem conização para remover lesões pré-cancerosas do colo do útero e se esta tem efeitos indesejáveis.

O que fizemos?

Procurámos estudos que examinaram os efeitos da vacinação contra o HPV em mulheres de qualquer idade com conização para tratar alterações pré-cancerosas das células cervicais causadas pelo HPV. Resumimos os resultados, avaliámos a sua fiabilidade e classificámos a nossa confiança na evidência.

O que encontrámos?

Encontrámos 13 estudos que incluíram 21.453 mulheres com conização. Os estudos variam em termos de conceção e qualidade. A maioria dos estudos foi realizada na Europa (10 estudos) e utilizou a vacina quadrivalente (sete estudos) ou nonavalente (um estudo) contra o HPV. Alguns estudos acompanharam as mulheres durante mais de 60 meses.

Principais resultados
  • A vacinação contra o HPV, em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização, pode reduzir o risco de lesões pré-cancerosas. No entanto, os resultados têm de ser interpretados com precaução.

  • Não temos a certeza de que a vacinação contra o HPV, em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização, tenha um efeito no cancro do colo do útero e na infeção persistente pelo HPV.

  • Não existiam dados sobre novas infeções por HPV, adenocarcinoma in situ e qualidade de vida, e a restante evidência era, na sua maioria, inconclusiva.

  • Os efeitos indesejáveis incluíram reações ligeiras (vermelhidão e erupção cutânea: 92 em cada 100 mulheres; dor de cabeça: 8 em cada 100 mulheres) e alergias graves (1 em cada 100 mulheres).

Quais são as limitações da evidência?

A evidência provinha principalmente de estudos que tinham potenciais problemas com a forma como foram efetuados. Apenas dois estudos foram concebidos para produzir evidência mais sólida. Os estudos não forneceram informações suficientes para saber se uma vacinação anterior contra o HPV significa que outra vacinação e o seu momento em relação ao procedimento de conização dão resultados diferentes. Precisamos também de saber mais sobre os efeitos nos diferentes grupos etários.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até maio de 2023.

Kapp P, Schmucker C, Siemens W, Brugger T, Gorenflo L, Röbl-Mathieu M, Grummich K, Thörel E, Askar M, Brotons M, Andersen PH, Konopnicki D, Lynch J, Ruta S, Saare L, Swennen B, Tachezy R, Takla A, Učakar V, Vänskä S, Zavadska D, Adel Ali K, Olsson K,…

Pergunta da revisão

4 weeks 1 day ago
Qual é a eficácia das intervenções baseadas no microbioma intestinal para a gestão do excesso de peso ou da obesidade em crianças e adolescentes em toda a sua diversidade, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos?Mensagens-chave

- Não é claro se as intervenções baseadas no microbioma intestinal (intervenções nutricionais que visam os micróbios intestinais) têm um efeito no índice de massa corporal (IMC), peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, medidas da pressão arterial e eventos adversos em crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade.

- É necessária mais investigação, incluindo ensaios de maior dimensão, para compreender os efeitos das intervenções baseadas no microbioma intestinal para a gestão do excesso de peso e da obesidade em crianças e adolescentes.

O que é o excesso de peso ou a obesidade?

O excesso de peso é uma condição de depósitos excessivos de gordura, e a obesidade é uma doença crónica caracterizada por depósitos excessivos de gordura que podem afetar a maioria dos sistemas do corpo, prejudicar a qualidade de vida e reduzir a esperança de vida. O IMC, calculado dividindo o peso de uma pessoa em quilogramas pela sua altura em metros, ao quadrado, é frequentemente utilizado para definir o excesso de peso e a obesidade.

Como se controla o excesso de peso ou a obesidade?

O excesso de peso ou a obesidade podem ser tratados através de alterações na dieta, aconselhamento comportamental para modificar o estilo de vida, medicamentos ou cirurgia. Apesar destas abordagens, esta epidemia mundial afeta mais de 390 milhões de crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 5 e os 19 anos e 37 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade em 2022. O excesso de peso ou a obesidade estão associados a um metabolismo anormal e a um desequilíbrio do microbioma intestinal. Trabalhos publicados demonstraram que as intervenções nutricionais que visam o "microbioma intestinal" podem ter efeitos benéficos no peso corporal e na percentagem de gordura corporal. O microbioma intestinal é a comunidade de bactérias inofensivas e outros microorganismos no intestino humano necessários para uma saúde ótima.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir o efeito de várias intervenções nutricionais dirigidas à comunidade microbiana intestinal sobre o IMC, o peso corporal, o perímetro da cintura, a percentagem total de gordura corporal, a pressão arterial e os eventos adversos associados às intervenções entre crianças e adolescentes em toda a sua diversidade, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos.

O que fizemos?

Procurámos estudos que examinaram os efeitos de intervenções baseadas no microbioma intestinal, incluindo prebióticos (ingredientes alimentares que promovem micróbios benéficos no intestino), probióticos (micróbios vivos que são bons para a saúde), simbióticos (uma combinação de prebióticos e probióticos), ácidos gordos de cadeia curta (ou seja pequenas moléculas de gordura produzidas por bactérias intestinais através da fermentação de fibras alimentares e hidratos de carbono não digeríveis) e transplante de microbiota fecal (ou seja, uma cápsula contendo micróbios das fezes de um dador saudável), em comparação com os cuidados habituais, placebo, controlo ou nenhuma intervenção em crianças e adolescentes até aos 19 anos de idade. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência com base em fatores como métodos e tamanhos dos estudos.

O que encontrámos?

Encontrámos 17 estudos que envolviam 838 crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade. Os estudos foram realizados em diferentes países, incluindo Espanha, China, Taiwan, Canadá, México, Itália, Polónia, Turquia, Irão, Tailândia, Dinamarca, Nova Zelândia e EUA.

Adolescentes dos 10 aos 19 anos

As intervenções nutricionais dirigidas aos micróbios intestinais podem ter pouco ou nenhum efeito sobre o IMC, o peso corporal, o tamanho da cintura, a percentagem de gordura corporal, a pressão arterial e os acontecimentos adversos, mas a evidência é muito incerta.

Crianças e adolescentes dos 0 aos 19 anos

Não é claro se os prebióticos têm um efeito no tamanho da cintura, na percentagem de gordura corporal, na pressão arterial e nos eventos adversos, em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os prebióticos, quando comparados com um tratamento simulado (ou seja, uma intervenção que não contém qualquer medicamento, mas que tem um aspeto ou sabor idêntico ao da intervenção que está a ser testada), podem resultar numa pequena redução do IMC e do peso corporal, mas a evidência é muito incerta.

Os probióticos comparados com um tratamento simulado podem ter pouco ou nenhum efeito no IMC, peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, pressão arterial e eventos adversos, mas a evidência é muito incerta.

Não é claro se os simbióticos têm um efeito no IMC, peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, pressão arterial diastólica e eventos adversos em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os simbióticos podem resultar numa redução da pressão arterial sistólica, mas a evidência é muito incerta.

Não é claro se os ácidos gordos de cadeia curta têm um efeito sobre o peso corporal, a percentagem de gordura corporal, a pressão arterial e os efeitos adversos em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os ácidos gordos de cadeia curta podem resultar numa redução do IMC e do perímetro da cintura, mas a evidência é muito incerta.

Os efeitos secundários das intervenções não foram, em geral, relatados nos estudos incluídos, mas um estudo observou potenciais efeitos secundários, como cólicas abdominais, desconforto abdominal, dor abdominal, diarreia, vómitos e enxaqueca no grupo dos prebióticos; no entanto, a ocorrência foi muito baixa. Náuseas e dores de cabeça foram notificadas noutro estudo no grupo dos ácidos gordos de cadeia curta, mas foram mínimas.

Quais são as limitações da evidência?

As conclusões da revisão são limitadas pelo pequeno número de participantes, pelo reduzido número de estudos disponíveis para cada uma das comparações, pela falta de dados a longo prazo e pela insuficiente notificação de efeitos adversos.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência inclui estudos publicados até janeiro de 2025.

Fahim SM, Huey SL, Palma Molina XE, Agarwal N, Ridwan P, Ji N, Kibbee M, Kuriyan R, Finkelstein JL, Mehta S

Efeitos dos percursos clínicos nos hospitais sobre os resultados dos doentes, a duração do internamento, os custos e encargos hospitalares e a adesão às práticas recomendadas.

4 weeks 1 day ago
Qual é o objetivo desta revisão?

Os percursos clínicos (CPW) são ferramentas baseadas em documentos que estabelecem uma ligação entre as melhores evidências disponíveis e a prática clínica. Fornecem recomendações, processos e calendários para a gestão de condições ou intervenções médicas específicas. Esta atualização da revisão teve como objetivo resumir a evidência e avaliar o efeito dos percursos clínicos nos resultados dos doentes (mortalidade intra-hospitalar, mortalidade (até 6 meses), complicações intra-hospitalares e readmissões hospitalares (até 6 meses)), duração do internamento, custos e encargos hospitalares e prática profissional (ou seja, adesão dos profissionais de saúde às práticas recomendadas), em comparação com os cuidados hospitalares habituais. Além disso, identificámos e comparámos diferentes estratégias de implementação. Incluímos pacientes em hospitais que foram tratados de acordo com (1) as recomendações de um CPW, ou (2) um CPW que foi implementado juntamente com outras intervenções, como um gestor de caso ou iniciativas de melhoria da qualidade. Foram analisados 58 estudos (24.841 pacientes e 2027 profissionais de saúde), dos quais 27 foram incluídos numa revisão publicada anteriormente (Rotter 2010) e 31 foram recuperados para esta atualização. Esta é a primeira atualização da revisão anterior.

Mensagens-chave

Os CPWs podem ter o potencial de melhorar os resultados dos pacientes e podem reduzir a duração do internamento hospitalar, os custos hospitalares e melhorar a adesão às práticas recomendadas. Mas ainda precisamos de mais estudos de alta qualidade que informem sobre as estratégias de implementação utilizadas durante o desenvolvimento e a implementação do percurso.

O que foi estudado nesta revisão?

A tomada de decisões nos hospitais deixou de se basear em opiniões e passou a assentar em provas científicas sólidas (ou seja, na prática baseada em provas). Os hospitais incorporam as evidências nos percursos clínicos a seguir pelos profissionais de saúde. Foram implementados em todo o mundo, mas os dados sobre o seu impacto provenientes de ensaios individuais são contraditórios. A publicação permanente de novas evidências, combinada com as exigências da prática quotidiana, torna difícil para os profissionais de saúde manterem-se actualizados.

Os desenhos dos estudos incluídos foram estudos aleatórios individuais e por grupos, estudos não aleatórios, estudos controlados antes e depois (CBA) e estudos de séries temporais interrompidas (ITS). Em ensaios clínicos aleatórios individuais, os participantes do estudo foram alocados ao grupo CPW ou ao grupo de cuidados habituais por acaso, o que se designa por alocação aleatória. Os ensaios aleatorizados por clusters dividiram todos os participantes do estudo em grupos mais pequenos, conhecidos como clusters. Estes grupos foram depois distribuídos ao acaso pelo grupo CPW ou pelo grupo de cuidados habituais. Nos ensaios não aleatórios, os participantes foram distribuídos pelos investigadores em grupos diferentes de forma quase aleatória. A atribuição quase aleatória significa que os participantes no estudo foram atribuídos ao grupo CPW ou ao grupo de cuidados habituais com base em critérios como a sua data de nascimento ou o dia da semana. Os estudos CBA são estudos experimentais sem um processo de atribuição aleatório ou quase aleatório. Os dados foram recolhidos do grupo CPW e do grupo de cuidados habituais antes da implementação do CPW, tendo sido recolhidos outros dados após a introdução do CPW. Os estudos ITS representam um método robusto de medir o efeito de um CPW como uma tendência ao longo do tempo.

Todos os estudos incluídos testaram o impacto dos percursos clínicos utilizados nos hospitais sobre um ou mais dos resultados pré-especificados: mortalidade intra-hospitalar, mortalidade (até 6 meses), complicações intra-hospitalares, readmissões hospitalares (até 6 meses), duração do internamento, custos e encargos hospitalares e adesão às práticas recomendadas. Os estudos centraram-se na alteração das medidas de resultados após a implementação de um percurso clínico autónomo ou de um percurso clínico multifacetado combinado com outras intervenções, em comparação com os cuidados habituais.

Quais são os resultados principais desta revisão?

Encontrámos 58 estudos que mediram os efeitos dos percursos clínicos nos resultados incluídos. Os principais resultados são que, em comparação com os cuidados habituais, é incerto se a implementação de uma via clínica autónoma tem algum efeito na mortalidade intra-hospitalar e na mortalidade (até 6 meses) (baixa certeza). É provável que os CPW autónomos reduzam as complicações intra-hospitalares (certeza moderada), mas é muito incerto se fazem alguma diferença nas readmissões hospitalares (até 6 meses) (certeza muito baixa). Os CPW autónomos são suscetíveis de reduzir o tempo de internamento hospitalar (certeza moderada). Em nove dos dez estudos incluídos nesta comparação, os custos e as taxas foram geralmente mais baixos nos CPW (certeza muito baixa). Os CPW autónomos podem também aumentar ligeiramente a adesão às práticas recomendadas (baixo grau de certeza).

Relativamente aos percursos clínicos multifacetados comparados com os cuidados habituais, não é certo que haja uma redução da mortalidade intra-hospitalar (baixa certeza) e podem fazer pouca ou nenhuma diferença na mortalidade (até 6 meses) (baixa certeza). É incerto se os CPWs que foram combinados com outras intervenções reduzem as complicações intra-hospitalares (baixa certeza) ou as readmissões hospitalares (até 6 meses) (baixa certeza). Também não é certo que reduzam a duração do internamento hospitalar (baixo grau de certeza), os custos e encargos hospitalares (grau de certeza muito baixo) e a adesão às práticas recomendadas (baixo grau de certeza), em comparação com os cuidados habituais.

Quão atualizada se encontra esta revisão?

Esta atualização da revisão procurou novos estudos até 26 de julho de 2024.

Rotter T, Kinsman LD, Alsius A, Scott SD, Lawal A, Ronellenfitsch U, Plishka C, Groot G, Woods P, Coulson C, Bakel LA, Sears K, Ross-White A, Machotta A, Schultz TJ

Terapias cognitivas e comportamentais baseadas na Internet na perturbação de stress pós-traumático (PSPT) em adultos

1 month ago
Porque é que esta revisão foi importante?

A perturbação de stress pós-traumático, ou PSPT, é uma doença mental comum que pode surgir após um acontecimento traumático grave. Os sintomas incluem a revivência do trauma sob a forma de pesadelos, flashbacks e pensamentos angustiantes; evitamento de memórias do evento traumático; vivenciar alterações negativas nos pensamentos e no humor; e hiperexcitabilidade, que inclui sentir-se nervoso, assustadiço, irritado, ter dificuldades no sono e de concentração. A PSPT pode ser tratada eficazmente com psicoterapia centrada no trauma. Algumas das terapias mais eficazes são as baseadas na terapia cognitivo-comportamental (TCC). Infelizmente, existe um número limitado de terapeutas qualificados habilitados a realizar estas terapias. Existem ainda outros fatores que limitam o acesso ao tratamento, tais como a necessidade de faltar ao trabalho para ir às consultas e dificuldades no transporte.

Uma alternativa é a realização de psicoterapia pela Internet, com ou sem a orientação por um terapeuta. As terapias cognitivo-comportamentais baseadas na Internet (I-C/BT) têm sido objeto de grande foco e são atualmente utilizadas por rotina para o tratamento da depressão e da ansiedade. Existem menos estudos sobre I-C/BT dirigido à PSPT. No entanto, a investigação científica encontra-se em expansão, com uma evidência crescente quanto à sua eficácia.

Quem poderá estar interessado nesta revisão?

- Pessoas com PSPT e as suas famílias e amigos.

- Profissionais que trabalham em serviços de saúde mental.

- Clínicos gerais.

- Comissários.

A que questões pretendeu esta revisão responder?

Em adultos com PSPT, tentámos descobrir se o I-C/BT:

- foi mais eficaz do que a ausência de terapia (lista de espera);

- foi tão eficaz quanto as psicoterapias realizadas por um terapeuta;

- foi mais eficaz do que outras psicoterapias realizadas online; ou

- foi mais eficaz do que a psicoeducação online sobre a doença na redução dos sintomas de PSPT e na melhoria da qualidade de vida; ou

- foi custo-efetivo, em comparação com a terapia presencial?

Quais os estudos incluídos na revisão?

Procurámos ensaios controlados e aleatorizados (estudos clínicos em que as pessoas são colocadas aleatoriamente num de dois ou mais grupos de tratamento), publicados entre 1970 e 5 de junho de 2020, que examinaram o uso de I-C/BT em adultos com PSPT.

Incluímos 13 estudos com 808 participantes. 

O que é que a evidência desta revisão nos diz?

- Análises incluindo 10 estudos concluíram que a I-C/BT foi mais eficaz do que a ausência de terapia (lista de espera) na redução da PSPT. No entanto, o grau de certeza desta evidência foi considerado muito baixo, o que significa que temos muito pouca confiança nesta conclusão.

- Análises incluindo dois estudos concluíram que não existia diferença entre a I-C/BT e outro tipo de psicoterapia realizada online. No entanto, o grau de certeza desta evidência foi considerado muito baixo, o que significa que temos muito pouca confiança nesta conclusão.

- Um estudo concluiu que a psicoterapia não cognitivo-comportamental presencial era mais eficaz do que I-C/BT. No entanto, os níveis basais dos sintomas de PSPT não estavam controlados e o grau de certeza desta evidência foi muito baixo, o que limita a nossa confiança neste resultado.

- Não encontrámos estudos que utilizassem medidas de aceitabilidade estandardizadas ou validadas que nos permitissem saber se as pessoas que receberam I-C/BT sentiram que foi um tratamento aceitável.

- Não encontrámos nenhum estudo que avaliasse a relação custo-eficácia de I-C/BT.

O que deveria acontecer a seguir?

A evidência atual encontra-se em crescimento, mas ainda é pequena. São necessários mais estudos para decidir se a I-C/BT deve ser utilizado por rotina no tratamento da PSPT.

Simon N, Robertson L, Lewis C, Roberts NP, Bethell A, Dawson S, Bisson JI

A liraglutida é um tratamento efetivo para a perda de peso em adultos com obesidade? Ela causa efeitos colaterais indesejáveis?

1 month ago
Mensagens principais
  • A liraglutida, comparada com o placebo (um medicamento sham), aumenta provavelmente o número de pessoas que perdem pelo menos 5% do peso corporal, mas o seu impacto nos efeitos indesejados, na qualidade de vida e nos principais eventos cardiovasculares, parece pequeno ou incerto tanto a médio prazo (6 a 24 meses) como a longo prazo (mais de 24 meses).

  • A nossa confiança nas evidência é limitada devido à forma como os estudos foram conduzidos e à falta de informações. Os fabricantes da liraglutida estiveram envolvidos em 22 dos 24 estudos incluídos, o que levanta preocupações sobre a confiabilidade dos resultados.

  • Estudos futuros devem analisar os resultados de longo prazo em diversos tipos de pessoas e ser independentes dos fabricantes de liraglutida.

O que é obesidade?

A obesidade é uma condição crônica na qual a pessoa possui excesso de gordura corporal. Pode aumentar o risco de problemas de saúde como diabetes tipo 2, doenças do coração e dos vasos sanguíneos (doenças cardiovasculares) e alguns tipos de câncer. Os níveis de obesidade estão aumentando em todo o mundo, representando um fardo significativo para os sistemas de saúde. O controle da obesidade geralmente envolve mudanças no estilo de vida, como adotar uma alimentação mais saudável e ser mais ativo fisicamente. No entanto, muitas pessoas têm dificuldade em manter essas mudanças, e os médicos podem prescrever medicamentos para auxiliar na perda de peso.

O que é liraglutida?

A liraglutida é um tipo de medicamento que ajuda as pessoas a sentirem-se saciadas mais rapidamente e, consequentemente, a comerem menos. Originalmente desenvolvido para tratar diabetes tipo 2, o medicamento foi aprovado em muitos países para auxiliar na perda de peso. É administrado por injeção diária. Algumas pessoas que tomam liraglutida apresentam efeitos indesejáveis, como náuseas ou vômitos, diarreia e prisão de ventre. A liraglutida é um “agonista do receptor GLP-1” (GLP-1RA). Medicamentos semelhantes incluem semaglutida e tirzepatida.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber quão eficaz é a liraglutida em adultos com obesidade a médio prazo (6 a 24 meses) e a longo prazo (24 meses ou mais). Analisamos os seus efeitos no peso, nos efeitos indesejados, nos problemas de saúde relacionados à obesidade, na qualidade de vida e no risco de morte. Não analisamos o que acontece depois que as pessoas param de tomar liraglutida.

O que nós fizemos?

Realizamos buscas por estudos que investigaram o uso de liraglutida para adultos que vivem com obesidade. Os estudos podiam investigar qualquer dose de liraglutida comparada com placebo (medicamento sham), nenhum tratamento, mudanças no estilo de vida ou outro medicamento para perda de peso. Incluímos estudos nos quais as pessoas tomaram liraglutida por pelo menos 6 meses. Comparamos e analisamos os resultados e avaliamos nossa confiança nas evidência.

O que nós descobrimos?

Encontramos 24 estudos com 9937 homens e mulheres com obesidade, com idades entre 31 e 64 anos. Algumas pessoas tinham problemas de saúde relacionados ao peso, como diabetes ou doenças hepáticas. A maioria dos estudos comparou a liraglutida com placebo. Elas ocorreram principalmente em países de alta e média renda.

Liraglutida comparada ao placebo
  • Perda de peso: as pessoas que tomaram liraglutida tiveram maior probabilidade de perder pelo menos 5% do seu peso corporal do que aquelas que tomaram um placebo a médio (18 estudos, 6651 pessoas) e longo prazo (2 estudos, 1262 pessoas). No entanto, não temos certeza sobre os efeitos da liraglutida na variação percentual geral do peso das pessoas desde o início do estudo até o médio prazo (16 estudos, 6050 pessoas) e pode haver pouca ou nenhuma diferença na variação percentual do peso a longo prazo (2 estudos, 1262 pessoas).

  • Efeitos indesejáveis: a médio prazo, as pessoas que tomam liraglutida podem apresentar mais efeitos indesejáveis de qualquer tipo (16 estudos, 8147 pessoas) e efeitos indesejáveis mais graves (20 estudos, 8487 pessoas) do que aquelas que tomam placebo. Não temos certeza sobre efeitos indesejáveis leves a moderados (17 estudos, 7440 pessoas) ou se os efeitos indesejáveis levaram as pessoas a interromper o tratamento (19 estudos, 8628 pessoas). A longo prazo (2 estudos, 2640 participantes), a liraglutida pode aumentar os efeitos indesejáveis e as pessoas podem ter maior probabilidade de interromper o tratamento devido a eles. Não temos certeza sobre eventos indesejados em geral e sobre efeitos indesejados leves a moderados.

  • Qualidade de vida : a liraglutida provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida, tanto a médio prazo (6 estudos, 3733 pessoas) quanto a longo prazo (1 estudo, 863 pessoas).

  • Outros resultados: a liraglutida provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença em relação a eventos cardiovasculares importantes a médio prazo (6 estudos, 5762 pessoas). Não temos certeza sobre seus efeitos em eventos cardiovasculares importantes a longo prazo e sobre as mortes a médio e longo prazo.

Quais são as limitações das evidências?

Estamos moderadamente confiantes de que as pessoas que tomam liraglutida perdem mais peso do que aquelas que tomam placebo. No entanto, nossa confiança nas outras evidências são limitadas devido à forma como os estudos foram conduzidos e às informações que estavam faltando. Poucos estudos analisaram os efeitos a longo prazo ou incluíram pessoas diferentes de locais diferentes, portanto, os resultados podem não ser aplicáveis a todos. Os fabricantes da liraglutida estiveram envolvidos na concepção, condução ou análise de 22 dos 24 estudos, o que limita nossa confiança nos resultados. São necessários mais estudos independentes.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até dezembro de 2024.

Meza N, Bracchiglione J, Escobar Liquitay CM, Madrid E, Varela LB, Guo Y, Urrútia G, Er S, Tiller S, Shokraee K, Alvarez Busco F, Solà I, Ocara Vargas M, Novik A V, Poloni D, Franco JVA

A tirzepatida é um tratamento eficaz para a perda de peso em adultos vivendo com obesidade? Ela causa efeitos colaterais indesejáveis?

1 month ago
Mensagem principal
  • Em comparação com o placebo (um medicamento simulado), a tirzepatida provavelmente ajuda adultos com obesidade a perder peso a médio prazo (até 2 anos), e essa redução de peso provavelmente se mantém a longo prazo (mais de 2 anos). A tirzepatida pode aumentar o risco de efeitos indesejáveis não graves a médio e longo prazo, mas pode ter pouco ou nenhum efeito sobre os efeitos indesejáveis graves, incluindo aqueles que levam as pessoas a interromper o tratamento com tirzepatida. Pode ter pouco ou nenhum efeito sobre a qualidade de vida, eventos cardiovasculares graves e mortalidade.

  • O fabricante da tirzepatida esteve envolvido no financiamento, delineamento, execução e divulgação dos resultados de todos os nove estudos incluídos. Isto levanta preocupações sobre conflitos de interesse que podem afetar os resultados. Mais estudos independentes são necessários.

O que é obesidade?

A obesidade é uma condição na qual uma pessoa tem excesso de gordura corporal, o que pode aumentar o risco de problemas de saúde como diabetes tipo 2, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer. Controlar a obesidade geralmente envolve mudanças no estilo de vida, como adotar uma alimentação mais saudável e ser fisicamente ativo. Em alguns casos, os médicos podem prescrever medicamentos para auxiliar na perda de peso.

O que é tirzepatida?

A tirzepatida é um medicamento desenvolvido para tratar pessoas que vivem com obesidade ou problemas de saúde relacionados ao peso. Ele funciona imitando dois hormônios que ajudam a regular o apetite, o esvaziamento do estômago, a sensação de saciedade, o açúcar no sangue e o metabolismo. É administrado por injeção semanal. Algumas pessoas que tomam tirzepatida apresentam efeitos indesejáveis, como indigestão, náuseas, diarreia e prisão de ventre. Outros medicamentos semelhantes são a liraglutida e a semaglutida.

Por que realizamos esta revisão?

Queríamos saber quão eficaz é a tirzepatida em adultos com obesidade a médio prazo (até 2 anos) e a longo prazo (2 anos ou mais). Analisamos seus efeitos na perda de peso, nos problemas de saúde associados à obesidade, nos efeitos indesejáveis, na qualidade de vida e no risco de morte. Não analisamos o que acontece depois que as pessoas param de tomar tirzepatida.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que comparassem a tirzepatida com placebo (um tratamento simulado), nenhum tratamento, mudanças no estilo de vida ou outro medicamento para perda de peso. Nos concentramos em estudos que compararam a tirzepatida com placebo. Incluímos estudos que acompanharam os participantes por pelo menos seis meses. Analisamos os resultados e avaliamos nossa confiança nas evidência.

O que nós descobrimos?

Incluímos nove estudos envolvendo 7111 adultos com obesidade, com idades entre 36 e 65 anos, principalmente de países de renda média e alta. Oito estudos compararam a tirzepatida com placebo e um estudo comparou a tirzepatida com a semaglutida. A tirzepatida foi administrada por injeção semanal em doses que variaram de 5 mg a 15 mg. A principal comparação com placebo (8 estudos, 6361 pessoas) apresentou os seguintes resultados.

  • É provável que a tirzepatida resulte em perda de peso significativa a médio prazo (até cerca de 1,5 anos) e provavelmente mantenha esse efeito a longo prazo (em torno de 3,5 anos).

  • Pessoas que tomam tirzepatida podem apresentar efeitos colaterais não graves, mas a probabilidade de interromperem o tratamento devido a esses efeitos pode ser igual ou semelhante à de pessoas que tomam um placebo. Pode haver pouca ou nenhuma diferença em relação aos efeitos colaterais graves.

  • A tirzepatida pode resultar em pouca ou nenhuma diferença nos eventos cardiovasculares, mas pode não melhorar a qualidade de vida nem diminuir a mortalidade.

Quais são as limitações das evidências?

Nossa confiança na evidência é limitada devido a preocupações sobre a forma como alguns dos estudos foram conduzidos. As conclusões a longo prazo baseiam-se em apenas um estudo. O fabricante da tirzepatida financiou todos os estudos, o que levanta preocupações sobre a confiabilidade dos resultados. Mais estudos independentes são necessários.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até Dezembro de 2024.

Franco JVA, Guo Y, Varela LB, Aqra Z, Alhalahla M, Medina Rodriguez M, Salvador Oscco EL, Patiño Araujo B, Banda S, Escobar Liquitay CM, Bracchiglione J, Meza N, Madrid E

Colírios ou pomadas com antibióticos podem prevenir infecções oculares após uma abrasão da córnea?

1 month ago
Mensagens principais
  • Pessoas com abrasões na córnea (arranhões na camada externa transparente e protetora do olho) têm maior risco de desenvolver infecções oculares.

  • Atualizamos a revisão publicada anteriormente, mas não encontramos evidência suficientes de que colírios ou pomadas contendo antibióticos apresentem benefícios em comparação com placebo (tratamento simulado) ou com outro tipo de antibiótico na prevenção de infecções oculares ou na aceleração da cicatrização após abrasão da córnea.

  • Um número semelhante de pessoas apresentou efeitos colaterais leves causados por antibióticos, como irritação ou reações alérgicas, independentemente do antibiótico recebido.

O que é uma abrasão da córnea?

A córnea é a camada externa transparente e protetora do olho. Uma abrasão da córnea é um arranhão na córnea, geralmente causado por trauma mecânico, corpo estranho no olho, queimaduras químicas ou lentes de contato.

Como é tratada a abrasão da córnea?

A abrasão da córnea causa dor e irritação, por isso os profissionais de saúde prescrevem analgésicos para ajudar a aliviar a dor. Alguns também podem prescrever antibióticos para prevenir infecções oculares.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se colírios ou pomadas antibióticas podem prevenir infecções oculares após uma abrasão da córnea. Reunimos e analisamos todos os estudos relevantes para responder a esta pergunta. Queríamos também descobrir se os antibióticos causam efeitos indesejáveis.

O que nós fizemos?

Realizamos uma busca na literatura médica por estudos que testaram antibióticos para prevenir infecções oculares após abrasão da córnea. Comparamos e resumimos os resultados desses estudos e avaliamos nossa confiança nas evidência com base em fatores como método de estudo e tamanho da amostra.

O que encontramos?

Encontramos quatro ensaios clínicos randomizados (estudos em que os participantes são aleatoriamente designados para um de dois ou mais grupos de tratamento) com um total de 998 pessoas. Dois estudos foram conduzidos no Reino Unido, um na Dinamarca e um na Coreia do Sul. A maioria dos participantes apresentava abrasões na córnea causadas por trauma ou após a remoção de um corpo estranho do olho. Os estudos compararam colírios ou pomadas contendo antibióticos com outro antibiótico ou com um placebo sem antibiótico (tratamento simulado). Todos os estudos foram realizados há mais de duas décadas. Dois estudos receberam apoio de empresas farmacêuticas.

Os estudos apresentaram evidência muito incertas sobre se os antibióticos ajudam a prevenir infecções oculares em pessoas com abrasões na córnea. Em um estudo, os antibióticos podem ter aumentado ligeiramente o número de pessoas que desenvolveram infecções oculares, mas as evidências não foram suficientemente robustas para se chegar a conclusões definitivas. Provavelmente houve pouca ou nenhuma diferença na cicatrização em 48 horas entre as pessoas que usaram antibióticos e aquelas que usaram placebo ou outros tipos de antibióticos. Nenhum dos estudos incluídos examinou a redução da dor pela metade ou mais após um dia, alterações na visão após um mês, mudanças no nível de dor durante o primeiro dia e qualquer problema causado por abrasão da córnea durante o período do estudo.

Os efeitos indesejáveis do tratamento, como irritação ou reações alérgicas, foram geralmente leves e ocorreram em um número semelhante de pessoas em todos os grupos de tratamento. Em um estudo, cerca de um em cada três participantes relatou desconforto ou coceira, independentemente do tratamento recebido.

De forma geral, os resultados sugerem que não existem evidência suficientes de alta qualidade para apoiar ou refutar o uso de antibióticos tópicos na prevenção de infecções ou na melhora da cicatrização em pessoas com abrasões da córnea.

O que significam as evidência ?

Devido à falta de evidência robustas, não sabemos se o uso de antibióticos pode prevenir infecções oculares em pessoas com abrasão da córnea ou se um antibiótico é melhor que outro para esse fim.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até 28 de março de 2025.

Ng SM, Leslie L, Tzang CC, Algarni AM, Kuo IC, Lawrenson AL, supported by the Cochrane Eyes and Vision Review Group

Programas com múltiplos componentes comportamentais melhoram o uso regular de medicamentos para baixar a pressão ocular em pessoas com glaucoma?

1 month ago
Mensagem principal
  • Programas comportamentais multifacetados, destinados a melhorar o uso regular de colírios para baixar a pressão ocular em pessoas com pressão ocular elevada ou diagnosticadas com glaucoma, podem incluir uma combinação de lembretes, educação multimídia, educação presencial, auxílio na dosagem, redução do estresse baseada em “mindfulness”, incentivos financeiros, simplificação do regime de colírios e educação médica.

  • A eficácia desses programas não é clara; alguns dados mostram efeitos favoráveis em comparação com o tratamento padrão, enquanto outros não.

  • Precisamos de pesquisas: 1) com métodos uniformes de medição do uso de colírios; 2) que incluam outros aspectos importantes que os médicos utilizam para verificar o estado da doença; e 3) que incluam desafios ou problemas relacionados ao paciente que possam afetar o uso de colírios ou outros fatores, como a estabilidade da doença.

O que é glaucoma e por que a adesão ao tratamento é importante?
O glaucoma é uma doença que pode levar à perda da visão e à cegueira. Resulta de múltiplos fatores que causam a degeneração do nervo óptico, um feixe de fibras nervosas que transporta informações visuais para o cérebro. A pressão elevada dentro do olho é o único fator de risco conhecido para o glaucoma que pode ser tratado. O uso regular de colírios para glaucoma pode ajudar, mas muitas vezes a adesão é baixa porque as pessoas:

  • se esqueçem de utilizá-los;

  • têm atividades concorrentes;

  • têm dificuldade em manter a dosagem e os horários corretos;

  • têm dificuldades físicas ou mentais (por exemplo, medo, ansiedade) para aplicar colírio; ou

  • têm dificuldade em comprá-los devido ao custo dos colírios.

O que queríamos descobrir?

Nosso objetivo era descobrir se dois ou mais componentes comportamentais, quando usados em conjunto, melhoram o uso regular de colírios para baixar a pressão ocular em pessoas com pressão ocular elevada ou glaucoma.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que comparassem combinações de pelo menos dois tipos de programas comportamentais com o atendimento padrão ou com uma única intervenção comportamental. Os programas comportamentais podem incluir lembretes por meio de ligações telefônicas, mensagens de texto, calendários, uso de um dispositivo auxiliar de dosagem, dispositivos que ajudam na aplicação de colírios, vídeos educativos, materiais escritos e educação presencial. O atendimento padrão envolve um médico explicando a doença, o objetivo do tratamento e detalhes sobre o tratamento ou colírios (por exemplo, com que frequência usá-los, horário do dia, em qual olho), o que geralmente é feito durante a consulta presencial na clínica.

Resumimos os resultados desses estudos e classificamos nossa confiança nas evidência com base em fatores como métodos de estudo e tamanho da amostra.

O que nós encontramos?

Encontramos 17 estudos que incluíram 4.536 pessoas com glaucoma ou pressão ocular elevada que utilizavam colírios para reduzir a pressão. A idade média dos participantes nesses estudos variou de 42 a 76 anos. A maioria das pessoas nos estudos era branca (62%), mas também havia negros (26%), hispânicos (1%), asiáticos (7%) e outros (3%). A maioria dos estudos incluídos foi realizada nos EUA (47%), mas também em outros países da Europa e da Ásia.

Os resultados de nossas análises foram mistos. A maioria dos estudos utilizou algum tipo de componente educacional. Nossas análises constataram que ter múltiplos componentes comportamentais pode ajudar ligeiramente as pessoas com o uso regular de colírios medicamentosos, mas pode não aumentar o uso desses colírios. Não se sabe ao certo se programas com múltiplos componentes comportamentais têm efeito sobre os desfechos relacionados à doença (por exemplo, progressão da doença ou prevenção da perda de visão) referentes às medidas de pressão ocular.

Quais são as limitações das evidências?

A qualidade dos estudos incluídos variou. Um desafio nesse tipo de pesquisa comportamental é a dificuldade de impedir que as pessoas saibam qual intervenção estão utilizando (ou seja, a que grupo de estudo foram designadas). A forma como os estudos mediram a adesão e outros desfechos variou, dificultando a combinação e comparação dos resultados. Muitos estudos não avaliaram fatores clínicos que seriam de interesse para os profissionais de saúde, como pressão ocular, perda de visão periférica ou estabilidade da doença, além de questões ou barreiras relacionadas ao paciente, como a capacidade de compreender seu próprio estado de saúde ou suas finanças pessoais. Pesquisas futuras que incluam relatórios consistentes, métodos padronizados de mensuração de desfechos e desafios relacionados aos pacientes contribuiriam para o avanço do conhecimento científico na área.

Quão atuais são essas evidências?

Estas evidências estão atualizadas até 31 de março de 2024.

Kruoch Z, Amin P, Shelton E, Zimmerman AB, Stephey E, Hunter M, Downie LE, Qureshi R

Quais são os tratamentos para o prurido (coceira) pós-queimadura e qual a sua eficácia?

1 month ago
Mensagens principais

Agentes neuromoduladores, como gabapentina e pregabalina, são medicamentos que podem ajudar a controlar a maneira como o corpo detecta e responde ao prurido. Esses medicamentos podem reduzir o prurido pós-queimadura em comparação aos anti-histamínicos orais.

As modalidades físicas mostraram variação na eficácia na redução do prurido pós-queimadura. A massoterapia e a terapia por ondas de choque extracorpóreas provavelmente reduzem o prurido pós-queimadura em comparação com controles relevantes, enquanto o toque terapêutico pode aumentar o prurido pós-queimadura em comparação com a presença da enfermagem.

Intervenções tópicas também mostraram variação na eficácia na redução da coceira pós-queimadura. A pomada de enalapril provavelmente reduz o prurido pós-queimadura em comparação ao controle com placebo, enquanto o hidratante Provase pode não ter efeito no prurido pós-queimadura em comparação ao hidratante de controle.

O que é prurido pós-queimadura?

O prurido (coceira) pós-queimadura é uma condição comum e bem reconhecida que geralmente se apresenta em dois períodos e contextos clínicos distintos. O primeiro é o prurido transitório na cicatrização de feridas, que ocorre no início da fase aguda da cicatrização, sendo muito comum, mas de curta duração. O segundo é o prurido da cicatriz de queimadura, que é duradouro e um pouco resistente ao tratamento.

O que queríamos descobrir?

Queríamos analisar quais intervenções, em comparação com seus respectivos comparadores, poderiam reduzir o prurido relacionado a queimaduras.

Para cada intervenção, analisamos:

- alteração no prurido relacionado à queimadura;

- efeitos adversos (por exemplo, sonolência) após o tratamento;

- custo-benefício;

- dor;

- satisfação percebida pelos participantes em relação à intervenção;

- cicatrização de feridas;

- qualidade de vida.

O que fizemos?

Incluímos estudos que recrutaram participantes de qualquer idade e sexo, que apresentaram prurido na queimadura, na área enxertada ou doadora, e foram tratados em qualquer ambiente de atendimento. Buscamos estudos em que:

- os participantes apresentaram prurido relacionado à queimadura (mas não aqueles que estavam em risco de prurido relacionado à queimadura);

- os participantes foram randomizados para avaliar o efeito de diferentes intervenções em relação aos comparadores relevantes.

O que encontramos?

Incluímos 25 estudos que avaliaram 21 intervenções, com um total de 1166 participantes. Seis estudos compararam agentes neuromoduladores com anti-histamínicos ou placebos. Quatro estudos compararam diferentes tipos de laser com nenhuma intervenção ou com placebo. Dois estudos compararam a estimulação elétrica com o tratamento padrão ou com a estimulação simulada. Seis estudos compararam diferentes tipos de modalidades físicas (por exemplo, massoterapia, toque terapêutico, terapia por ondas de choque extracorpóreas, educação aprimorada sobre placas de gel de silicone) com comparadores relevantes. Cinco estudos compararam diferentes tipos de terapias tópicas (por exemplo, gel de silicone, hidrogel, pomada de enalapril, hidratante Provase e creme de cera de abelha e óleo de ervas) com comparadores relevantes. Os outros dois estudos compararam diferentes terapias combinadas e fitoterápicas.

- Embora todos os estudos tenham relatado mudanças no prurido relacionado a queimaduras, apenas quatro relataram efeitos adversos. O custo-benefício, a satisfação percebida pelos participantes com a intervenção e a cicatrização de feridas não foram relatados em nenhum dos estudos incluídos.

- Em relação aos agentes neuromoduladores, embora gabapentina, pregabalina e doxepina possam ser mais eficazes na redução do prurido pós-queimadura em comparação com anti-histamínicos orais, temos maior confiança de que a ondansetrona provavelmente reduz o prurido pós-queimadura em comparação com anti-histamínicos orais.

- Em relação às terapias tópicas, o CQ-01 (hidrogel) pode ser mais eficaz na redução do prurido pós-queimadura em comparação com controles relevantes. A pomada de enalapril provavelmente reduz o prurido pós-queimadura em comparação com placebo. O creme de gel de silicone e o hidratante Provase podem ter pouco ou nenhum efeito no prurido pós-queimadura. O impacto do creme de cera de abelha e óleo de ervas no prurido pós-queimadura não pôde ser determinado devido à indisponibilidade de dados.

- Em relação às modalidades físicas, a educação aprimorada sobre placas de gel de silicone pode ser mais eficaz na redução do prurido pós-queimadura em comparação à educação convencional. A massoterapia e a terapia por ondas de choque extracorpóreas podem ser mais eficazes na redução do prurido pós-queimadura em comparação com controles relevantes.

Quais são as limitações das evidências?

Nossa confiança nas evidências é limitada, pois havia apenas um ou dois estudos disponíveis para cada comparação e a maioria dos estudos recrutou um pequeno número de participantes (46 participantes em média). A maioria dos estudos utilizou métodos que poderiam introduzir erros em seus resultados, como os participantes estarem cientes do grupo de tratamento ao qual foram designados.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Este resumo está atualizado até setembro de 2022.

Sinha S, Gabriel VA, Arora RK, Shin W, Scott J, Bharadia SK, Verly M, Rahmani WM, Nickerson DA, Fraulin FOG, Chatterjee P, Ahuja RB, Biernaskie JA

Quais são os efeitos da nutrição personalizada (nutrição de precisão) no tratamento da obesidade em crianças e adolescentes?

1 month 1 week ago
Mensagens principais

• Não está claro se a nutrição de precisão (ou seja, dietas personalizadas de acordo com características individuais) tem efeito sobre a alteração do peso corporal ou índice de massa corporal (IMC: uma medida percentil do peso da pessoa em relação à média para uma determinada idade) em crianças e adolescentes com obesidade.

• São necessários mais estudos, especialmente pesquisas maiores e de melhor qualidade, para entender se esse tipo de abordagem realmente funciona no manejo da obesidade em crianças e adolescentes.

O que são sobrepeso e obesidade?

O índice de massa corporal (IMC) é calculado dividindo o peso (em quilos) pela altura ao quadrado (em metros). Ele ajuda a identificar sobrepeso (quando há excesso de gordura corporal) e obesidade (uma doença crônica caracterizada por um acúmulo ainda maior de gordura, que pode prejudicar a saúde).

Como o sobrepeso e a obesidade são tratados?

O tratamento pode envolver mudanças na alimentação, mudanças no estilo de vida (como atividade física), uso de medicamentos e em alguns casos cirurgia. Mesmo assim, a obesidade continua sendo um grande desafio. Em 2022, cerca de 37 milhões de crianças menores de cinco anos viviam com obesidade no mundo. Entre adolescentes, os casos quadruplicaram desde 1990. Isso sugere que abordagens alternativas ou complementares ao tratamento podem ser necessárias, como intervenções personalizadas ou baseadas em nutrição de precisão.

O que queríamos descobrir?

Nos últimos anos, a ideia de nutrição de precisão (nutrição personalizada), ganhou destaque. A nutrição de precisão busca adaptar a alimentação às características de cada pessoa. Estudos iniciais sugerem que esse tipo de abordagem pode ajudar no controle do peso, especialmente em crianças e adolescentes.

Queríamos descobrir se intervenções baseadas em nutrição de precisão funcionam melhor do que orientações alimentares padronizadas (iguais para todos) em crianças de 0 a 9 anos, adolescentes de 10 a 19 anos, ou em ambos os grupos (0 a 19 anos) no:

• bem-estar físico e mental;

• nível de atividade física;

• qualidade de vida relacionada à saúde;

• limitações causadas pela obesidade;

• efeitos indesejados das intervenções;

• mudanças no peso, avaliadas pelo IMC ou pelo peso corporal.

O que fizemos?

Buscamos por estudos que avaliavam intervenções baseadas em nutrição de precisão, como orientações ou educação alimentar apoiadas por inteligência artificial, ou métodos que avaliam características do corpo humano, como genes, proteínas e outras substâncias. Comparamos essas intervenções personalizadas com orientações alimentares tradicionais (iguais para todos, como apenas reduzir calorias ou seguir um padrão alimentar sem considerar diferenças individuais) ou com nenhuma intervenção, em crianças e adolescentes de até 19 anos. Resumimos os resultados e avaliamos a confiança nas evidências, considerando o tamanho dos estudos e a forma como foram conduzidos.

O que nós encontramos?

Encontramos 2 estudos, com um total de 105 crianças e adolescentes, que duraram entre 1 e 3 meses.

Em crianças de 0 a 9 anos, não está claro se a nutrição de precisão tem efeitos sobre o IMC ou o peso corporal quando comparada a uma intervenção padronizada

Em crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, também não está claro se a nutrição de precisão causa mudanças no IMC ou no peso corporal quando comparada com intervenção padronizada.

Quais são as limitações das evidências?

As principais limitações das evidências são o número pequeno de estudos e o baixo número de participantes. Isso reduz nossa confiança nos resultados. Atualmente, não há evidências suficientes para afirmar se a nutrição de precisão funciona ou não no manejo da obesidade em crianças e adolescentes. Mais pesquisas são necessárias, especialmente estudos maiores e bem planejados.

Quão atualizadas estão essas evidências?

Essas evidências estão atualizadas até julho de 2024.

Huey SL, Mehta NH, Steinhouse RS, Jin Y, Kibbee M, Kuriyan R, Finkelstein JL, Mehta S

Quais são os benefícios e riscos das diferentes formas de acessar a articulação do quadril durante a cirurgia de substituição (cirurgia de prótese) parcial do quadril?

1 month 1 week ago
Mensagens principais
  • As evidências disponíveis ainda estão em desenvolvimento, e novos estudos podem modificar as nossas conclusões.

  • No momento, não temos confiança suficiente para afirmar que uma via cirúrgica (forma de acessar a articulação do quadril) seja melhor do que outra em relação à realização de tarefas do dia a dia, à qualidade de vida relacionada à saúde, à mobilidade ou ao estado funcional, à mortalidade ou à dor nos primeiros quatro meses após a cirurgia.

O que é a hemiartroplastia do quadril?

A hemiartroplastia do quadril, também chamada de substituição parcial do quadril, é uma cirurgia em que a cabeça do fêmur (osso da coxa) é substituída por uma prótese artificial, enquanto a cavidade do quadril, onde o fêmur se encaixa, é preservada.

Por que isso é importante para pessoas com fraturas do quadril?

As fraturas do quadril são frequentes, especialmente em adultos mais velhos. Elas costumam causar muita dor e dificultar a caminhada ou a vida independente. A substituição parcial do quadril é uma forma de tratar essas fraturas, ajudando a aliviar a dor e a permitir uma recuperação mais rápida. Durante a cirurgia, existem diferentes maneiras de acessar a articulação do quadril, e cada uma pode ter vantagens e desvantagens.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir qual é o efeito das diferentes vias cirúrgicas para a substituição parcial do quadril na recuperação das pessoas após a cirurgia.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que compararam diferentes vias de realizar a substituição parcial do quadril. Esses estudos precisavam distribuir as pessoas de forma aleatória entre as vias cirúrgicas (ou usar métodos semelhantes, como a data de nascimento) e acompanhar sua recuperação após a cirurgia. Incluímos apenas estudos com adultos que sofreram fratura do quadril. Em seguida, reunimos e analisamos os resultados desses estudos e avaliamos o quanto podemos confiar nas evidências, considerando fatores como o número de participantes e a qualidade dos métodos utilizados.

O que encontramos?

Encontramos 27 estudos com 3.369 participantes. Esses estudos foram realizados na Europa e na Ásia. O maior estudo incluiu 843 pessoas, enquanto o menor incluiu 29 participantes. O tempo de acompanhamento variou de 40 dias a cinco anos.

Via anterior versus posterior: pode haver pouca ou nenhuma diferença na capacidade de realizar tarefas diárias, no estado funcional, no risco de morte ou na dor três meses após a cirurgia. No entanto, os resultados são muito incertos. Nenhum estudo avaliou a qualidade de vida relacionada à saúde nos primeiros quatro meses após a cirurgia.

Via anterior versus lateral: pode haver pouca ou nenhuma diferença na realização de tarefas diárias, no estado funcional ou na dor após três meses da cirurgia. No entanto, os resultados são muito incertos. Encontramos que a abordagem anterior pode reduzir ligeiramente a claudicação (mancar) três meses após a cirurgia. Nenhum estudo avaliou a qualidade de vida relacionada à saúde nos primeiros quatro meses após a cirurgia. Também não temos certeza do efeito sobre a mortalidade nesse mesmo período.

Via lateral versus posterior: pode haver pouca ou nenhuma diferença na realização de tarefas diárias, na qualidade de vida relacionada à saúde, no estado funcional ou na dor três meses após a cirurgia. Os resultados são muito incertos. Da mesma forma, pode não haver diferença no risco de morte nos primeiros três meses após a cirurgia.

Quais são as limitações das evidências?

De modo geral, nossa confiança nas evidências disponíveis é baixa ou muito baixa. Dois fatores principais reduziram nossa confiança nas evidências. Primeiro, muitos estudos incluíram poucos participantes, o que dificulta ter certeza sobre os resultados, além de apresentar resultados inconsistentes entre os estudos. Segundo, o tamanho reduzido dos estudos dificultou a identificação de efeitos raros, mas importantes, que muitas vezes não foram relatados ou foram descritos de forma inadequada.

Quão atualizadas estão essas evidências?

As evidências estão atualizadas até 1º de novembro de 2024. Os estudos foram publicados entre 1981 e 2024.

Morrell AT, Lindsay SE, Schabel K, Parker MJ, Griffin XL

Os suplementos de cálcio tomados antes da gravidez ajudam a prevenir a tensão arterial elevada e as suas complicações?

1 month 1 week ago
Mensagens-chave
  • Evidência de um estudo (1.355 mulheres) mostra que a ingestão de cálcio extra antes da gravidez pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na pré-eclâmpsia (uma complicação da gravidez) ou na perda gestacional e na pré-eclâmpsia. Os dados de 633 mulheres que engravidaram durante o estudo mostraram resultados semelhantes, exceto uma ligeira redução de pré-eclâmpsia ou de perda gestacional.

  • O estudo não forneceu evidência de efeitos indesejáveis do cálcio ou da morte do bebé durante a gravidez e o início da vida.

  • São necessários mais estudos para decidir se os suplementos de cálcio iniciados antes da gravidez ajudam as mulheres a evitar a tensão arterial elevada, a pré-eclâmpsia e outras complicações. A investigação deve também abordar a forma como as mulheres consideram aceitáveis os suplementos de cálcio.

Porque é que a tensão arterial elevada é um problema na gravidez e como é que o cálcio pode ajudar?

A tensão arterial elevada durante a gravidez é uma das principais causas de morte e de doenças graves nas mães e nos bebés. A pré-eclâmpsia é a complicação mais grave. É diagnosticada quando a grávida desenvolve tensão arterial elevada com sinais de lesões na placenta e noutros órgãos, como os rins ou o fígado. Atualmente, não existe qualquer tratamento para a pré-eclâmpsia para além do parto. O cálcio pode ajudar a baixar a tensão arterial. Muitas pessoas, especialmente nos países com baixos rendimentos, não têm cálcio suficiente na sua alimentação, pelo que a administração de suplementos de cálcio antes da gravidez pode prevenir a pré-eclâmpsia e salvar muitas mães e bebés.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber se a administração de suplementos de cálcio às mulheres antes de engravidarem poderia ajudar a prevenir a tensão arterial elevada, a pré-eclâmpsia e outros problemas de saúde graves para a mãe e o bebé. Também estávamos interessados em quaisquer efeitos indesejáveis dos suplementos de cálcio.

O que fizemos?

Procurámos estudos que comparassem a administração de suplementos de cálcio antes da gravidez com um placebo (medicamento simulado) ou cuidados normais. As mulheres que participaram nos estudos tinham de estar a planear uma gravidez. Podem ser de qualquer idade e viver em qualquer parte do mundo. As suas dietas normais podem incluir qualquer quantidade de cálcio e podem ter qualquer risco de tensão arterial elevada. Os estudos podem administrar qualquer dose de cálcio durante qualquer período de tempo, desde que os suplementos sejam iniciados antes da gravidez. Analisámos a evidência para todas as mulheres do estudo e apenas para as mulheres que engravidaram durante o estudo.

Comparamos e resumimos os resultados e classificámos a nossa confiança na evidência, com base em fatores tais como os métodos e o tamanho dos estudos.

O que descobrimos?

Encontrámos um estudo com 1.355 mulheres. Todas elas tinham tido pré-eclâmpsia na sua gravidez mais recente, pelo que corriam um risco elevado de a voltar a ter. Foram-lhes administrados diariamente cálcio extra ou um comprimido de placebo até às 20 semanas de gravidez. Após 20 semanas, todas as mulheres passaram a receber cálcio diário extra até ao parto. Viviam na Argentina, na África do Sul e no Zimbabué.

Os suplementos de cálcio antes da gravidez podem fazer pouca ou nenhuma diferença:

  • pré-eclâmpsia ou perda de gravidez;

  • pré-eclâmpsia;

  • perda gestacional; e

  • parto antes das 37 semanas.

Não temos a certeza sobre o efeito do cálcio extra antes da gravidez na morte da mãe, na morte ou doença grave da mãe e nado-morto.

Os resultados relativos a 633 mulheres que engravidaram durante o estudo são muito semelhantes, exceto no que se refere a uma ligeira redução da pré-eclâmpsia ou da perda gestacional.

Não foi encontrada evidência sobre efeitos indesejáveis, morte do bebé durante a gravidez e no início da vida, morte do recém-nascido, morte de recém-nascidos nos primeiros 7 dias de vida, ou morte ou doença grave de recém-nascidos.

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança na evidência deste estudo é limitada pelo facto de quase um terço das mulheres incluídas não terem sido acompanhadas ou terem abandonado o estudo. Não sabemos se estas mulheres engravidaram e quais foram os seus resultados.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

A evidência inclui estudos publicados até janeiro de 2025.

Cluver CA, Rohwer C, Rohwer A, Puga MEdSSantos, Torloni MR, Hofmeyr GJ

Tomar suplementos de cálcio durante a gravidez ajuda a prevenir pressão alta e complicações relacionadas?

1 month 1 week ago
Mensagens principais
  • Encontramos pouca ou nenhuma diferença no número de mulheres que desenvolveram pré-eclâmpsia quando tomaram suplementos de cálcio durante a gravidez. Também não temos certeza sobre os efeitos do cálcio em desfechos graves para mães e bebês.

  • A maioria das mulheres começou a tomar cálcio no segundo trimestre da gravidez. Por isso, esta revisão não traz informações sobre o uso do cálcio no início da gestação. Além disso, não temos dados suficientes para comparar mulheres que já consomem cálcio suficiente na alimentação com aquelas que não consomem, nem para comparar mulheres com alto risco de pré-eclâmpsia com aquelas de baixo risco.

  • Quando analisamos apenas estudos grandes, com mais de 500 mulheres, encontramos evidências confiáveis. É improvável que novos estudos mudem essas conclusões. Por isso, pesquisas futuras podem focar em outras formas de prevenir problemas de pressão alta durante a gravidez.

Por que a pressão alta é um problema durante a gravidez?

A pressão alta na gravidez é uma das principais causas de morte e de doenças graves em mães e bebês. A complicação mais grave é a pré-eclâmpsia. Ela afeta a placenta e pode prejudicar outros órgãos, como rins, fígado e cérebro. Atualmente, não existe tratamento para a pré-eclâmpsia além do parto.

Como o cálcio pode ajudar?

Alguns estudos sugerem que o cálcio pode reduzir a pressão arterial em pessoas com pressão normal e em mulheres que já tiveram pré-eclâmpsia. No entanto, outros estudos não confirmam esse efeito. Mesmo assim, o cálcio é fácil de obter, tem baixo custo e provavelmente é seguro para mães e bebês. As mulheres tomam os suplementos de cálcio por via oral (engolidos), em forma de comprimidos. Se o cálcio prevenisse a pré-eclâmpsia, ele poderia reduzir mortes e doenças graves em mães e bebês.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber se tomar cálcio durante a gravidez ajuda a prevenir a pré-eclâmpsia e outros problemas de pressão alta. Também queríamos saber se o cálcio causa efeitos indesejados e se reduz mortes de bebês durante a gravidez ou logo após o nascimento, além de mortes ou doenças graves em mães e bebês e partos antes do tempo.

O que fizemos?

Buscamos estudos que avaliaram o uso de suplementos de cálcio durante a gravidez. Usamos critérios rigorosos para incluir apenas estudos confiáveis. Avaliamos a qualidade dos estudos antes de comparar e resumir os resultados. Por fim, analisamos o quanto podemos confiar nas conclusões.

O que nós encontramos?

Encontramos 10 estudos com 37.504 mulheres que avaliaram o uso de suplementos de cálcio junto com os cuidados habituais da gravidez. Oito estudos compararam cálcio com placebo (tratamento falso). Dois estudos compararam uma dose baixa de cálcio (500 mg por dia) com uma dose alta (1.500 mg por dia). Os estudos foram realizados em vários países, incluindo países de alta e de baixa renda. Algumas mulheres tinham ingestão adequada de cálcio na alimentação, e outras não. Algumas tinham alto risco de pré-eclâmpsia, e outras não.

Cálcio comparado com placebo (8 estudos, 15.504 mulheres) : Evidências de seis estudos, com 15.364 mulheres, mostraram que o cálcio pode fazer pouca ou nenhuma diferença na pré-eclâmpsia em comparação com placebo. Quando analisamos apenas estudos grandes, com mais de 500 mulheres (4 estudos, 14.730 mulheres), encontramos evidência forte de que o cálcio tem pouco ou nenhum efeito sobre a pré-eclâmpsia em comparação com o placebo.

O cálcio provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença no risco de a mãe morrer ou desenvolver complicações graves da pré-eclâmpsia. Ele também pode fazer pouca ou nenhuma diferença no risco de morte do bebê durante a gravidez ou logo após o nascimento.

Ainda há muita incerteza sobre o efeito do cálcio no risco de morte materna, no parto prematuro antes de 37 semanas e nos efeitos indesejados.

Dose baixa comparada com dose alta de cálcio (2 estudos, 22.000 mulheres): Uma dose baixa de cálcio pode fazer pouca ou nenhuma diferença no risco de pré-eclâmpsia quando comparada com uma dose alta. Há muita incerteza sobre o efeito da dose baixa no risco de morte materna em comparação com doses mais elevadas. A dose baixa não faz diferença na perda do bebê durante a gravidez ou logo após o nascimento e provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença no risco de parto antes de 37 semanas.

Quais são as limitações das evidências?

Como a maioria das mulheres começou a tomar cálcio no segundo trimestre da gravidez, não sabemos se o cálcio funciona quando usado no início da gestação. Também não sabemos se os efeitos são diferentes em mulheres que já consomem cálcio suficiente na alimentação ou em mulheres com maior ou menor risco de pré-eclâmpsia.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até janeiro de 2025.

Cluver CA, Rohwer C, Rohwer AC

O propofol é melhor para realizar sedação durante a colonoscopia em comparação com os sedativos tradicionais (opioides ou benzodiazepínicos, ou ambos)?

1 month 2 weeks ago
Mensagens principais
  • A sedação com propofol em vez de sedativos tradicionais pode melhorar o tempo de recuperação e os índices de satisfação dos pacientes submetidos à colonoscopia. A sedação com propofol tem pouco ou nenhum efeito nas taxas de conclusão da colonoscopia ou nas complicações, em comparação com os sedativos tradicionais (opioides ou benzodiazepínicos, ou ambos). Os efeitos sobre o tempo de alta hospitalar e a score da dor são incertos.

  • A sedação com propofol para colonoscopia realizada por profissionais que não sejam anestesiologistas pode resultar em uma pequena redução no tempo de recuperação em comparação com a sedação com propofol realizada por anestesiologistas. No entanto, há pouca ou nenhuma diferença entre os grupos em relação à taxa de conclusão da colonoscopia, score da dor, satisfação do paciente e eventos respiratórios que requerem intervenção.

  • São necessários estudos adicionais com um número maior de participantes e relatórios de alta qualidade para se chegar a conclusões mais robustas sobre os efeitos do propofol na sedação durante a colonoscopia, em comparação com os sedativos tradicionais, e para analisar os desfechos da sedação não guiada por anestesiologista, como óbitos e internações hospitalares.

O que é uma colonoscopia?

A colonoscopia é um procedimento comum usado para diagnosticar muitas doenças do trato digestivo. Um tubo longo e flexível (colonoscópio) com uma pequena câmera de vídeo na ponta é inserido pelo ânus até o reto e o intestino grosso (cólon) para procurar doenças intestinais, incluindo inflamações, infecções, pólipos ou cânceres. Além de usar o colonoscópio para tirar fotos e gravar vídeos que auxiliam no diagnóstico, amostras de tecido (biópsias) também podem ser coletadas durante a colonoscopia. Em alguns casos, uma remoção mais extensa de tecido, incluindo a remoção de pólipos ou mesmo de cânceres em estágio inicial, pode ser feita durante uma colonoscopia. Frequentemente, são utilizados medicamentos para sedar os pacientes, de modo que eles possam tolerar confortavelmente o procedimento de colonoscopia.

O que queríamos descobrir?

Diversos estudos compararam diferentes medicamentos sedativos utilizados neste procedimento e quem pode administrá-los com segurança. Nosso objetivo era conhecer os efeitos da sedação com propofol para colonoscopia em pacientes adultos, em comparação com os sedativos tradicionais (opioides ou benzodiazepínicos, ou ambos). Também analisamos os efeitos da sedação com propofol em pacientes adultos submetidos a colonoscopia, administrada por anestesiologistas, em comparação com a sedação administrada por profissionais não anestesiologistas.

O que nós fizemos?

Realizamos buscas por estudos que comparassem o propofol com sedativos tradicionais para colonoscopia, e também por estudos que comparassem a sedação com propofol administrada por anestesiologistas com a administrada por profissionais não anestesiologistas. Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e avaliamos a certeza da evidência, considerando os métodos utilizados e o tamanho das amostras.

O que nós encontramos?

Identificamos 30 estudos (12.036 pessoas) que compararam o propofol com os sedativos tradicionais e três estudos (449 pessoas) que compararam o propofol administrado por anestesiologistas com o administrado por profissionais não anestesiologistas para colonoscopia. Os estudos ocorreram entre 1993 e 2024.

Principais resultados

A sedação com propofol para colonoscopias pode levar a um tempo de recuperação mais rápido e a melhores índices de satisfação do paciente. Os efeitos sobre o tempo de alta hospitalar e os níveis de dor são incertos. As taxas de conclusão da colonoscopia, perfuração colônica (perfuração acidental do cólon) e eventos respiratórios (falta de oxigênio) que levaram à intervenção médica por um profissional de saúde não foram diferentes com o uso de propofol em comparação com os sedativos tradicionais. A sedação com propofol para colonoscopia administrada por profissionais que não sejam anestesiologistas resulta em pouca ou nenhuma diferença na taxa de conclusão do exame, no score da dor, na satisfação do paciente ou em eventos respiratórios que levam a uma intervenção médica, em comparação com a sedação com propofol administrada por anestesiologistas, mas pode reduzir ligeiramente o tempo de recuperação.

Quais são as limitações das evidências?

Para a comparação entre propofol e sedativos tradicionais durante a colonoscopia, temos, em sua maioria, baixa confiança nas evidência, pois houveram problemas com a apresentação dos desfechos nos estudos, o que pode ter influenciado os resultados. Na comparação entre sedação dirigida por anestesiologista e sedação dirigida por não anestesiologista, nossa confiança nas evidências variou de alta a baixa; nos casos em que nossa confiança foi limitada, houveram poucos estudos, e eles não relataram todos os desfechos de interesse.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até fevereiro de 2024.

Johnson G, Okoli GN, Askin N, Abou-Setta AM, Singh H

O que se sabe sobre os benefícios do contato pele a pele imediato ou precoce para mães e bebês?

1 month 2 weeks ago
Mensagens principais
  • Mães que têm contato pele a pele com seus bebês na primeira hora após o nascimento provavelmente têm maior probabilidade de amamentar exclusivamente até um mês depois e de seis semanas a seis meses depois.

  • O contato pele a pele entre mães e recém-nascidos provavelmente ajuda os recém-nascidos a se adaptarem à vida fora do útero, mantendo sua temperatura corporal estável e aumentando seus níveis de açúcar no sangue. Também pode ajudar na respiração e na frequência cardíaca.

  • O contato pele a pele pode resultar em pouca ou nenhuma diferença no tempo até a expulsão da placenta. O efeito sobre a perda de sangue da mãe após um parto vaginal não é incerto.

Por que isso é importante?

Grandes organizações globais de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), recomendam que, logo após o nascimento, o recém-nascido seja colocado diretamente sobre a pele nua da mãe. O bebê deve ficar nu e permanecer ali sem interrupção por pelo menos uma hora, idealmente até depois da primeira mamada. Isso se chama contato pele a pele. No entanto, em muitos contextos, é prática comum separar os recém-nascidos de suas mães, envolvê-los em panos ou vesti-los, ou colocá-los em berços abertos ou sob aquecedores radiantes. O contato pele a pele é menos comum em países de baixa renda e em países de renda média-baixa. Como essa prática pode ajudar as mães a amamentarem com sucesso, taxas mais baixas de contato pele a pele podem ser um dos motivos pelos quais os níveis de amamentação variam entre países com diferentes níveis de renda.

O que queríamos descobrir?

Nosso objetivo era ampliar a compreensão de como o contato pele a pele no momento do nascimento afeta a duração e a exclusividade do aleitamento materno, bem como a transição do bebê para a vida fora do útero. Especificamente, queríamos saber se o contato pele a pele é melhor do que o contato padrão para melhorar:

  • aleitamento materno exclusivo;

  • temperatura corporal do bebê;

  • níveis de açúcar no sangue em bebês;

  • Respiração e frequência cardíaca do bebê;

  • tempo até o expulsão da placenta;

  • Sangramento materno após parto vaginal.

O que nós fizemos?

Buscamos em importantes bases de dados por estudos randomizados sobre contato pele a pele imediato (iniciado em menos de 10 minutos após o nascimento) e contato pele a pele precoce (entre 10 minutos e 24 horas após o nascimento). Em estudos randomizados, os participantes são aleatoriamente colocados em dois ou mais grupos para garantir que os grupos sejam semelhantes. Resumimos os resultados e avaliamos nossa confiança nas conclusões com base em fatores como tamanho do estudo e métodos.

O que nós encontramos?

Encontramos 69 estudos com 7.290 pares mãe-bebê. A maioria dos estudos comparou o contato pele a pele imediato (dentro de 10 minutos após o nascimento) com o atendimento hospitalar padrão para mulheres com bebês saudáveis a termo. Em 15 estudos, as mulheres tiveram parto cesárea e, em 10 estudos, os bebês eram saudáveis, mas nasceram prematuros (entre 34 e 37 semanas de gestação). Trinta e dois estudos foram conduzidos em países de alta renda, 25 em países de renda média-alta e 12 em países de renda média-baixa, incluindo Índia, Nepal, Paquistão, Vietnã e Zâmbia. Não foram realizados estudos em países de baixa renda.

Principais resultados

Mulheres que têm contato pele a pele imediato com seus recém-nascidos provavelmente têm maior probabilidade de amamentar exclusivamente na alta hospitalar e até um mês após o parto (12 estudos, 1.556 pares mãe-bebê) e de seis semanas a seis meses após o parto (11 estudos, 1.135 pares mãe-bebê).

Bebês que têm contato pele a pele imediato com suas mães provavelmente apresentam temperaturas corporais mais altas de 30 minutos a 2,5 horas após o nascimento, embora a diferença não seja clinicamente significativa (11 estudos, 1.349 recém-nascidos). O contato pele a pele provavelmente aumenta os níveis de glicose no sangue dos bebês (3 estudos, 144 recém-nascidos) e pode melhorar sua respiração e frequência cardíaca (2 estudos, 81 recém-nascidos). O contato pele a pele pode ter pouco ou nenhum efeito sobre o tempo até a expulsão da placenta (4 estudos, 450 mulheres) ou sobre o sangramento materno após um parto vaginal (2 estudos, 143 mulheres), embora o resultado para o sangramento materno seja muito incerto.

Quais são as limitações das evidências?

Temos um nível moderado de confiança na maioria das conclusões, embora tenhamos menos confiança nos resultados relativos à respiração, frequência cardíaca e tempo até a expulsão da placenta, e não tenhamos confiança no resultado referente ao sangramento materno. As descrições e definições de contato pele a pele, amamentação, outras intervenções e contato padrão foram inconsistentes entre os estudos. Além disso, as mães e a equipe sabiam quais mães estavam recebendo contato pele a pele, o que pode ter afetado os resultados. Por fim, muitos estudos foram de pequena escala, com menos de 100 mulheres e recém-nascidos participantes.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Esta é uma atualização de uma revisão Cochrane anterior. As evidências estão atualizadas até 22 de março de 2024.

Moore ER, Brimdyr K, Blair A, Jonas W, Lilliesköld S, Svensson K, Ahmed AH, Bastarache LR, Crenshaw JT, Giugliani ER J, Grady JE, Zakarija-Grkovic I, Haider R, Hill RR, Kagawa MN, Mbalinda SN, Stevens J, Takahashi Y, Cadwell K

Qual a precisão do Xpert Ultra para diagnosticar tuberculose e resistência à rifampicina (um antibiótico) em crianças?

1 month 2 weeks ago
Mensagens principais
  • O teste Xpert Ultra, realizado em amostras de escarro (muco expelido dos pulmões pela tosse), aspirado gástrico (muco e saliva aspirados do estômago) e fezes, é preciso para detectar tuberculose pulmonar em crianças.

  • O risco de não diagnosticar tuberculose pulmonar existe, mas o risco de diagnosticar incorretamente uma criança com tuberculose pulmonar é baixo.

Por que é importante melhorar o diagnóstico da tuberculose?

Em 2023, estima-se que 1,3 milhão de crianças adoeceram com tuberculose, uma doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis . A falta de reconhecimento da tuberculose (resultados falso-negativos) pode resultar em diagnóstico tardio, doença grave e morte. Um diagnóstico incorreto de tuberculose (resultados falso-positivos) pode levar a tratamento desnecessário.

Qual foi o objetivo desta revisão?

Avaliar a precisão do Xpert Ultra no diagnóstico de tuberculose que afeta os pulmões (tuberculose pulmonar), do sistema nervoso central e do cérebro (meningite tuberculosa) e dos gânglios linfáticos, bem como na detecção de resistência à rifampicina (um antibiótico usado para tratar a tuberculose), em crianças menores de 10 anos que apresentam sintomas de tuberculose.

O que foi estudado nesta revisão?

O Xpert Ultra detecta simultaneamente Mycobacterium tuberculosis e resistência à rifampicina. Para a detecção de Mycobacterium tuberculosis , avaliamos os resultados em relação a dois parâmetros: cultura (um método usado para cultivar o germe) e uma definição composta da doença com base em sintomas, radiografia de tórax e cultura. Para a detecção da resistência à rifampicina, avaliamos os resultados comparando-os com testes de suscetibilidade a medicamentos ou sequenciamento genômico (métodos para identificar mutações de resistência a medicamentos).

Quais foram os principais resultados desta revisão?

Incluímos um total de 23 estudos. A maioria dos estudos analisou a tuberculose pulmonar (21 estudos, 9.223 crianças). Três estudos investigaram a resistência à rifampicina, três investigaram a meningite tuberculosa e dois investigaram a tuberculose dos gânglios linfáticos.

Para uma população de 1.000 crianças, onde 100 têm tuberculose pulmonar (de acordo com os resultados da cultura):

No escarro:

  • Dos 112 indivíduos que apresentaram resultado positivo no teste Xpert Ultra, 75 teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros positivos) e 37 não (falsos positivos).

  • Dos 888 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria negativo, sendo que 863 não teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros negativos) e 25 teriam tuberculose pulmonar (falsos negativos).

No aspirado gástrico:

  • Dos 151 indivíduos que apresentaram resultado positivo no teste Xpert Ultra, 70 teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros positivos) e 81 não (falsos positivos).

  • Dos 849 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria negativo, sendo que 819 não teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros negativos) e 30 teriam tuberculose pulmonar (falsos negativos).

Nas fezes:

  • Dos 85 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria positivo, sendo que 68 teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros positivos) e 17 não (falsos positivos).

  • Dos 915 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria negativo, sendo que 883 não teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros negativos) e 32 teriam tuberculose pulmonar (falsos negativos).

Em aspirado nasofaríngeo:

  • Dos 68 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria positivo, sendo que 46 teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros positivos) e 22 não (falsos positivos).

  • Dos 932 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria negativo, sendo que 878 não teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros negativos) e 54 teriam tuberculose pulmonar (falsos negativos).

Nos três estudos que analisaram a resistência à rifampicina (em 76 crianças), apenas duas crianças apresentaram resistência à rifampicina.

A porcentagem de crianças com meningite tuberculosa detectada pelo Xpert Ultra variou entre 67% e 100% (215 crianças no total, 13 com meningite tuberculosa confirmada por cultura) em três estudos. Em dois estudos, o Xpert Ultra confirmou em 100% das crianças com tuberculose ganglionar confirmada por cultura (total de 58 crianças, sendo 21 com tuberculose ganglionar confirmada por cultura).

Quais são as limitações das evidências?

Para a tuberculose pulmonar, temos um nível moderado de confiança em nossos resultados. Incluímos estudos de diferentes países e utilizamos dois padrões de referência distintos, embora nenhum deles seja perfeito. Temos menos confiança nos resultados relativos à resistência à rifampicina, porque apenas três estudos investigaram esse aspecto e somente três crianças apresentaram resistência à rifampicina. Não foi possível combinar os resultados sobre tuberculose ganglionar ou meningite tuberculosa de diferentes estudos porque poucos estudos investigaram esses tipos de tuberculose.

Para quem os resultados desta revisão são relevantes?

A revisão aplica-se a crianças (do nascimento aos 9 anos) que vivem com HIV ou que são HIV negativas, com sinais ou sintomas de tuberculose pulmonar, meningite tuberculosa ou tuberculose ganglionar. Os resultados também se aplicam a crianças com desnutrição grave e sintomas de tuberculose. Os resultados aplicam-se principalmente a crianças que vivem em partes do mundo com altas taxas de tuberculose ou tuberculose e HIV.

Quais são as implicações desta revisão?

Os resultados sugerem que, em crianças com menos de 10 anos de idade, o Xpert Ultra apresenta precisão moderada na detecção de tuberculose pulmonar em amostras de escarro, aspirado gástrico e fezes. A precisão nas amostras de aspirado nasofaríngeo é menor.

Ao utilizar o Xpert Ultra, o risco de não diagnosticar tuberculose pulmonar (confirmada por cultura) ainda está presente, o que sugere que os médicos não devem confiar apenas no Xpert Ultra.

Até que ponto esta revisão está atualizada?

Esta revisão atualiza nossa revisão anterior e inclui evidência publicadas até 6 de outubro de 2023.

Kay AW, Madison M, Scandrett K, Ness T, Amuge P, Inbaraj LR, Sathya Narayanan MK, González Fernández L, Eisenhut M, Ismail N, Korobitsyn A, Verkuijl SE, Brands A, Viney K, Masini T, Mandalakas AM, Steingart KR, Takwoingi Y

Quais fatores aumentam o risco de uma convulsão após uma primeira convulsão não provocada (sem causa aparente)?

1 month 2 weeks ago
Mensagens principais

• Resultados anormais em um exame que registra a atividade cerebral (eletroencefalograma ou EEG) provavelmente estão associados a um risco aumentado de ter outra convulsão.
Outros fatores, como exames cerebrais anormais, convulsões durante o sono (convulsões noturnas), paresia de Todd (fraqueza após uma convulsão) ou histórico familiar de epilepsia, também podem aumentar o risco, mas as evidência são menos conclusivas.
• Precisamos de estudos de maior qualidade para ajudar os médicos a prever com maior precisão quem terá novas convulsões após uma primeira convulsão não provocada.

O que são convulsões não provocadas?

Uma convulsão é uma descarga súbita de atividade elétrica no cérebro. Pode causar tremores, rigidez corporal, olhar fixo, confusão ou perda de consciência. Uma convulsão não provocada é uma convulsão que ocorre sem uma causa imediata ou óbvia, como febre, infecção ou lesão recente. Pode ser um sinal de uma condição subjacente, como epilepsia.

Por que as convulsões não provocadas são motivo de preocupação?

Muitas pessoas terão pelo menos uma convulsão durante a vida — cerca de 1 em cada 20 até os 85 anos de idade. Após essa primeira convulsão, os médicos geralmente não conseguem prever quem terá outras no futuro. Essa incerteza dificulta a tomada de decisões sobre dirigir, trabalhar ou iniciar um tratamento.

Os médicos precisam de métodos confiáveis ​​para prever o risco de convulsão após uma primeira convulsão não provocada, a fim de orientar o diagnóstico e o tratamento. Isso é especialmente importante porque, em algumas pessoas, o diagnóstico de epilepsia pode ser feito após uma única convulsão, se a probabilidade de novas convulsões for alta.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se certas características — seja da pessoa, da sua primeira convulsão ou dos resultados de exames médicos — poderiam ajudar a prever se ela teria outra convulsão. Avaliamos:

• características pessoais, como idade, sexo e histórico familiar de epilepsia;
• exames médicos, incluindo exames cerebrais (ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC)) ou EEGs (exames de ondas cerebrais);
• Características da convulsão , incluindo se a convulsão ocorreu durante o sono ou se durou muito tempo.

O que fizemos?

Buscamos estudos de boa qualidade que acompanhassem pessoas após uma primeira convulsão não provocada para verificar se elas continuavam a ter convulsões. Incluímos estudos que acompanharam as pessoas por pelo menos seis meses e que contaram com pelo menos 30 participantes.

Em seguida, combinamos os resultados dos estudos para descobrir a força das evidência para cada possível fator de risco.

O que encontramos?

Encontramos 23 estudos envolvendo 5.918 pessoas. Alguns estudos incluíram adultos, outros crianças e outros ambos. A força das evidência para cada fator de risco variou.

Principais resultados

• Eletroencefalograma (EEG) anormal: pessoas com resultados anormais no EEG provavelmente têm um risco maior de ter outra convulsão.

Os seguintes fatores podem aumentar o risco de recorrência de convulsão:

• exame de imagem cerebral anormal;
• Paresia de Todd (fraqueza temporária após uma convulsão);
• histórico familiar de epilepsia;
• convulsões durante o sono (convulsões noturnas).

Não temos muita certeza se os seguintes fatores aumentam o risco de recorrência de convulsão:

• sinais neurológicos focais (problemas que afetam uma parte específica do corpo, causados por um problema em uma área específica do cérebro);
• convulsões febris (convulsões que ocorrem durante um período de febre) na infância;
• estado de mal epiléptico (quando uma convulsão não para sozinha, ou crises convulsivas repetidas sem que o paciente recupere totalmente a consciência entre elas);
• crises focais (uma convulsão que começa em uma parte do cérebro);
• sexo masculino.

Há evidência contraditórias sobre se ter menos de 16 anos é um fator de risco: alguns estudos sugerem um risco maior, outros sugerem um risco menor. Em geral, as evidência são incertas.

Quais são as limitações das evidências?

Muitos estudos mediram e relataram os resultados de maneiras diferentes, o que dificulta a comparação entre eles. Algumas eram pequenas ou não levavam em consideração todos os fatores importantes. A maioria dos estudos foi realizada em países de alta renda, portanto, as conclusões podem não ser aplicáveis em todos os lugares.

Estudos maiores e de alta qualidade que avaliem e relatem os fatores de risco de convulsão da mesma forma ajudariam os médicos a fazer previsões mais precisas.

Como os pacientes e cuidadores podem usar essas informações?

Compreender quais características podem estar relacionadas a um maior número de convulsões pode ajudar pacientes e familiares a terem conversas informadas com seus médicos. Isso pode auxiliar nas decisões relacionadas ao tratamento, direção de veículos, escola, trabalho e vida cotidiana.

Quão atualizada é esta avaliação?

A revisão inclui estudos publicados até dezembro de 2022.

Adan G, Neligan A, Nevitt SJ, Bonnett LJ, Sander JW, Marson AG
Checked
4 hours 41 minutes ago
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