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A rotação manual é útil para evitar um parto operatório em mulheres cujos bebés estão virados para o lado errado durante o parto?

3 months ago
Mensagens-chave
  • Quando uma mulher está em trabalho de parto e o colo do útero está totalmente dilatado, mas a cabeça do bebé está virada para a direção errada (para a frente ou para o lado da mãe), não é atualmente claro se virar a cabeça do bebé à mão (rotação manual) para que fique virada para as costas da mãe (a posição habitual) ajuda a reduzir a necessidade de cesariana, vácuo ou parto com fórceps.

  • São necessários mais estudos bem concebidos para compreender melhor se a rotação manual é eficaz e segura.

O que é a rotação manual?

A rotação manual é um procedimento em que um médico ou uma parteira usa a mão ou os dedos para virar suavemente a cabeça do bebé para a posição habitual (virada para as costas da mãe) durante o trabalho de parto, normalmente quando o colo do útero da mulher está completamente dilatado.

Porque é que isto é importante para as parturientes cujos bebés estão virados para o lado errado?

Quando a cabeça do bebé não está na posição ideal durante o trabalho de parto - virada para a frente da mãe (occipital posterior, OP) ou para o lado (occipital transversal, OT), em vez da posição habitual virada para as costas da mãe (occipital anterior, OA) - pode aumentar o risco de o trabalho de parto não progredir bem, de complicações como hemorragias maternas, de traumatismos graves no pavimento pélvico e da necessidade de recorrer a vácuo, fórceps ou cesariana. Virar a cabeça do bebé para a posição OA pode ajudar a evitar estas intervenções.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber se a rotação manual é melhor do que não fazer nada (ou os cuidados habituais) na prevenção de partos operatórios (vácuo, fórceps ou cesariana) em mulheres cujos bebés estão na posição errada durante o trabalho de parto.

Estávamos interessados no efeito da rotação manual noutros resultados, incluindo: mortes maternas e perinatais, lacerações graves do períneo durante o parto (terceiro ou quarto grau) e hemorragia grave após o parto (perda de sangue de 500 ml ou mais).

O que fizemos?

Procurámos estudos que avaliaram se a rotação manual trazia benefícios ou prejuízos para as mulheres e os seus bebés quando comparada com um procedimento simulado ou com os cuidados habituais. Comparámos e resumimos os resultados e classificámos a nossa confiança na evidência, com base em fatores tais como métodos e tamanhos dos estudos.

O que descobrimos?

Encontrámos seis estudos que incluíram 1.002 mulheres grávidas e os seus bebés. Todos os estudos foram realizados em países de alto rendimento. Todas as mulheres tinham uma gravidez de termo (pelo menos 37 semanas ou mais), o colo do útero estava totalmente dilatado e a maioria tinha recebido alívio da dor por epidural.

Resultados principais

Em comparação com a ausência de rotação manual, a rotação manual pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na taxa global de partos operatórios. Não se registaram mortes maternas ou perinatais em nenhum dos grupos.

A rotação manual pode não reduzir a probabilidade de cesariana ou de partos instrumentais (fórceps ou vácuo). Além disso, houve pouca ou nenhuma diferença no número de mulheres que sofreram complicações, incluindo lacerações perineais de terceiro ou quarto grau, ou hemorragias graves após o parto.

Está a decorrer mais um estudo (que envolve 46 mulheres). No entanto, serão necessários estudos muito maiores para detetar diferenças significativas. São também necessários estudos futuros em países de baixo e médio rendimento.

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança na evidência é limitada, principalmente devido a preocupações com o desenho do estudo (especificamente, em três dos seis estudos, as mulheres sabiam qual o tratamento que estavam a receber), e porque o número total de mulheres incluídas nos estudos era pequeno.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até março de 2024.

Phipps H, Osborn DA, Zhang R, Cooper C, Hyett JA, de Vries BS

Quais são os benefícios e os riscos do ácido tranexâmico na prevenção de hemorragias abundantes após o parto vaginal?

3 months ago
Mensagens-chave
  • O ácido tranexâmico administrado como tratamento preventivo faz pouca ou nenhuma diferença na hemorragia intensa após o parto vaginal.

  • Não temos a certeza se existem efeitos nocivos do ácido tranexâmico.

Qual é o problema?

A hemorragia pós-parto, que é uma hemorragia intensa após o parto, é uma complicação comum e potencialmente fatal do parto. A maioria das mulheres recebe medicamentos (chamados uterotónicos) que estimulam a contração do útero após um parto normal (vaginal) para evitar a hemorragia pós-parto. O ácido tranexâmico (TXA) é um medicamento utilizado para diminuir a perda de sangue em cirurgias e condições de saúde associadas a um aumento da hemorragia. A sua ação consiste em ajudar a prevenir a formação de coágulos sanguíneos. Se a mulher estiver a sangrar muito após o parto, diminui a perda de sangue. Não sabemos se o TXA pode ajudar a prevenir hemorragias abundantes após um parto vaginal.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber se menos mulheres têm hemorragia intensa após um parto vaginal se receberem TXA, com ou sem uterotónicos adicionais, durante o parto vaginal. Também queríamos descobrir se a toma de TXA durante o parto vaginal estava associada a quaisquer efeitos nocivos.

O que fizemos?

Procurámos e selecionámos todos os estudos que abordavam a nossa questão. Utilizámos uma lista de verificação para garantir que apenas incluímos estudos com informações que pudéssemos verificar. Fizemos julgamentos sobre a qualidade dos estudos antes de comparar e resumir os resultados dos estudos. Por último, classificámos a nossa confiança nos resultados.

Porque é que isto é importante?

É importante determinar se o TXA é eficaz na prevenção de hemorragias abundantes após o parto quando administrado a mulheres durante o parto vaginal. Se houver um benefício, poderá ajudar as mulheres em todo o mundo e até desempenhar um papel na redução do número de mulheres que morrem após o parto.

Quão atualizada se encontra a evidência?

Procurámos toda a evidência disponível até 6 de setembro de 2024.

Que evidência encontrámos?

Identificámos três estudos que investigaram os efeitos do TXA preventivo. Os três estudos envolveram um total de 18.974 participantes com risco baixo ou elevado de hemorragia intensa. Os participantes receberam uma injeção intravenosa (numa veia) de TXA e tratamento padrão ou uma injeção de placebo (solução salina) e tratamento padrão.

Descobrimos que o TXA preventivo resulta em pouca ou nenhuma diferença na hemorragia intensa após o parto.

Estamos muito incertos sobre o efeito do TXA na morte materna. É provável que o TXA não faça qualquer diferença no risco de as mulheres desenvolverem doenças graves.

Verificámos que o TXA não tem qualquer efeito sobre a probabilidade de receber uma transfusão de sangue. O TXA pode não ter qualquer diferença na necessidade de uma nova intervenção cirúrgica após o parto. Temos muitas dúvidas sobre o efeito do TXA nos coágulos sanguíneos. Em mulheres com anemia, o TXA não faz diferença na necessidade de medicamentos adicionais para ajudar o útero a contrair-se, mas em mulheres sem anemia, houve uma ligeira redução neste resultado. Temos muitas dúvidas sobre o efeito do TXA na histerectomia (uma operação para remover o útero). Não parece haver uma diferença na satisfação materna.

Quais são as limitações da evidência?

Os estudos incluíram mulheres em locais com recursos elevados e baixos. Poucas mulheres sofreram efeitos nocivos. No entanto, não podemos ter a certeza de que é isso que acontece no mundo real.

O que significam estes resultados?

Não encontrámos qualquer diferença no número de mulheres com hemorragia intensa após o parto depois de lhes ter sido administrado TXA preventivamente durante o parto vaginal, e estamos muito incertos quanto ao efeito do TXA na formação de coágulos sanguíneos e outros efeitos secundários graves. Uma vez que se trata de efeitos nocivos, os médicos devem ter em conta a falta de benefícios e os potenciais danos quando consideram a administração de TXA de rotina a mulheres durante o parto vaginal.

A investigação futura deve centrar-se noutras intervenções que possam ajudar a prevenir hemorragias abundantes após o parto vaginal.

Rohwer C, Rohwer AC, Cluver C, Ker K, Hofmeyr GJ

Os medicamentos com progestagénios são benéficos para a prevenção de abortos recorrentes?

3 months ago
Mensagens-chave
  • É provável que a administração de medicamentos com progestagénio faça pouca ou nenhuma diferença nas probabilidades de aborto ou de nascimento de um bebé vivo para as mulheres que já tiveram abortos espontâneos sem motivo conhecido.

O que é um aborto recorrente?

A perda precoce da gravidez, também conhecida como aborto espontâneo, ocorre geralmente no primeiro trimestre (as primeiras 13 semanas de gravidez). Para algumas mulheres e seus parceiros, os abortos espontâneos podem ocorrer várias vezes. Esta situação é também conhecida como aborto recorrente. Embora, por vezes, se encontrem causas para os abortos espontâneos, muitas vezes não há razões claras para que aconteçam.

O que são progestagénios e por que razão podem ser utilizados?

A progesterona é uma hormona que prepara o útero para receber e sustentar o óvulo recém fertilizado durante a fase inicial da gestação. Foi sugerido que, em algumas mulheres, o aborto seria decorrente da produção insuficiente de progesterona no início da gestação. A suplementação com medicamentos que atuam como a progesterona (chamados progestagénios), que podem ser naturais ou sintéticos, tem sido sugerida como uma possível forma de prevenir abortos recorrentes. O aborto pode ser uma experiência difícil, tanto fisicamente como emocionalmente, para as mulheres e seus parceiros. Encontrar uma terapia que ajude a reduzir o aborto recorrente pode ajudá-las a evitar um aborto espontâneo e a ter um bebé vivo.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir se dar um progestagénio no início da gravidez seria melhor do que não dar nada para melhorar:

  • aborto espontâneo (na esperança de o reduzir);

  • taxa de nados-vivos (na esperança de a aumentar);

  • outros problemas para as mães e os bebés (na esperança de reduzir estes problemas, como o baixo peso à nascença ou a necessidade de cuidados especiais).

O que fizemos?

Procurámos estudos publicados que incluíssem mulheres que tivessem sofrido aborto recorrente e que lhes tivessem dado tratamento com progestagénio ou nenhum tratamento (ou uma pílula "falsa"). Excluímos estudos de mulheres que fizeram tratamento de fertilidade por fertilização in-vitro (FIV).

O que descobrimos?

Encontrámos nove estudos que incluíram um total de 1.426 mulheres com história de aborto recorrente. Oito dos estudos continham informações que pudemos utilizar, num total de 1.276 mulheres. Estes estudos concluíram que a administração de medicação com progestagénios no início da gravidez a mulheres com abortos recorrentes faz provavelmente pouca ou nenhuma diferença na probabilidade de aborto. Não descobrimos que dar a medicação com progestagénios por via oral, como uma injeção ou na vagina, fosse melhor do que qualquer uma das outras formas. Os estudos também mostraram que a administração de progestagénio a mulheres com aborto recorrente anterior provavelmente fez pouca ou nenhuma diferença na probabilidade de ter um bebé vivo na gravidez atual. Não temos a certeza sobre o efeito do progestagénio nas probabilidades de parto prematuro, morte do recém-nascido, defeitos congénitos do recém-nascido ou nado-morto.

Quais são as limitações da evidência?

Verificámos que a evidência provinha muitas vezes de estudos mais antigos, muitos dos quais eram relativamente pequenos. Isto também significa que alguns dos pormenores sobre a forma como alguns dos estudos foram efetuados não eram claros. Nem todos os estudos forneceram dados sobre todos os efeitos em que estávamos interessados.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

Esta revisão atualizada pesquisou a evidência a 25 de julho de 2024.

Haas DM, Bofill Rodriguez M, Hathaway TJ, Ramsey PS

Os suplementos de cálcio durante a gravidez melhoram a saúde dos bebés e das mães (omitindo estudos sobre a tensão arterial elevada)

3 months ago
Mensagens-chave

- A toma de doses elevadas (mais de 1.000 mg) de suplementos de cálcio durante a gravidez pode levar a um número ligeiramente inferior de bebés que nascem antes das 37 semanas de gravidez. Possivelmente, não houve diferença nos efeitos indesejáveis, embora tenhamos encontrado poucos dados sobre isso.

- Aparentemente, não se verificou qualquer redução no número de bebés nascidos antes das 34 semanas de gravidez ou no número de bebés com baixo peso à nascença. Estes são os bebés cuja saúde é mais gravemente afetada pelo facto de terem nascido cedo.

- É provável que o impacto da toma de suplementos de cálcio pelas mães durante a gravidez na saúde dos bebés e das mães seja pequeno, ou mesmo nulo. São necessários mais estudos para ter mais certezas sobre os dados e eventuais efeitos indesejáveis.

Porque é que se tomam suplementos de cálcio durante a gravidez?

As mulheres grávidas são frequentemente aconselhadas a tomar cálcio extra, mas os diferentes profissionais de saúde recomendam frequentemente doses diferentes. O cálcio é muito importante para o crescimento e desenvolvimento dos bebés no útero. O cálcio extra pode melhorar a saúde dos bebés e pode também afetar as próprias mães. O cálcio extra pode ajudar a gravidez a continuar e reduzir o número de bebés que nascem cedo (pré-termo, também conhecido como prematuro). No entanto, também podem ocorrer efeitos indesejáveis. Os bebés nascidos pré-termo (com menos de 37 semanas de gestação (ou seja, 37 semanas desde a última menstruação da mulher)) têm mais problemas de saúde em comparação com os bebés nascidos na data prevista (termo). Isto é particularmente verdade para os bebés nascidos com menos de 34 semanas de gestação (ou bebés com baixo peso à nascença) que podem ter problemas de saúde graves. Assim, se os suplementos de cálcio puderem reduzir o número de bebés que nascem prematuros, isso poderá ter um impacto na saúde dos bebés.

O que pretendíamos descobrir?

Perguntámos se os suplementos de cálcio tomados pelas mães durante a gravidez reduziam o número de bebés que nasciam demasiado cedo (prematuros) ou reduziam o número de bebés com baixo peso à nascença (menos de 2500 g). Perguntámos também se poderia haver efeitos indesejáveis nos bebés ou nas suas mães. Excluímos os estudos sobre mães com hipertensão arterial, uma vez que esta questão é abrangida por outras revisões Cochrane.

O que fizemos?

Esta revisão é uma atualização da revisão publicada em 2015. Encontrámos 19 estudos com dados para a nossa revisão, que envolveram 16.625 mães e os seus bebés. Os estudos foram efetuados num grande número de países. O maior estudo envolveu 8.325 mães e bebés e o estudo mais pequeno envolveu 23 mães e bebés. Os estudos incluídos eram, em geral, de boa qualidade, na sua maioria com doses elevadas de cálcio e estamos razoavelmente confiantes nos dados que temos.

Descobrimos que os suplementos de cálcio provavelmente levam a um número ligeiramente menor de bebés nascidos antes das 37 semanas (11 estudos, 15.379 mães e bebés). No entanto, verificámos que provavelmente não havia diferença no número de bebés nascidos antes das 34 semanas (3 estudos, 5.569 mães e bebés). Pode haver pouco ou nenhum efeito no baixo peso à nascença (6 estudos, 14.162 mulheres e bebés). As mães que tomaram cálcio extra relataram efeitos indesejáveis semelhantes aos das mães que não tomaram qualquer cálcio extra. No entanto, apenas alguns estudos referiram efeitos indesejáveis.

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança na evidência é apenas moderada porque o efeito do cálcio parece diferir ligeiramente entre os estudos. Os estudos também se limitaram apenas a doses elevadas de cálcio e poucos estudos referiram efeitos indesejáveis.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

Esta revisão atualiza a nossa revisão anterior. A evidência encontra-se atualizada até dezembro de 2022.

Kongwattanakul K, Duangkum C, Ngamjarus C, Lumbiganon P, Cuthbert A, Weeks J, Sothornwit J

A injeção de hialuronidase perineal durante a segunda fase do trabalho de parto reduz os danos genitais numa mulher que está a dar à luz?

3 months ago
Mensagens-chave

Para as mulheres na segunda fase do trabalho de parto, a injeção de uma substância conhecida como hialuronidase (HAase) na área perineal (parte dos genitais) pode reduzir o risco de danos no períneo (ou seja, lacerações inesperadas ou um corte cirúrgico deliberado conhecido como episiotomia - ou ambos) quando comparado com nenhuma intervenção. Pode não haver diferença quando se compara a injeção de HAase com a injeção de placebo (falso).

A injeção perineal de HAase durante a segunda fase do trabalho de parto reduz provavelmente o inchaço na zona perineal 24 horas após o parto vaginal, em comparação com a injeção de placebo.

São necessários mais estudos de elevada qualidade para avaliar plenamente o papel da injeção perineal de HAase nos partos vaginais.

O que é o traumatismo perineal no parto vaginal?

O períneo é constituído pelos tecidos que envolvem o trato urogenital e o ânus. O traumatismo perineal é uma lesão nesta área que pode ocorrer espontaneamente (rasgão) ou cirurgicamente (um corte conhecido como episiotomia) durante o parto normal de um bebé (parto vaginal). O traumatismo perineal após um parto vaginal é muito frequente e pode estar associado a problemas de saúde a curto e a longo prazo. O traumatismo perineal é classificado como de primeiro, segundo, terceiro ou quarto grau, de acordo com a sua gravidade e com a extensão da área afetada.

Porque é que é importante avaliar potenciais técnicas para reduzir o traumatismo perineal durante o parto vaginal?

O traumatismo perineal pode estar associado a problemas físicos e psicológicos significativos imediatamente após o parto ou a longo prazo, incluindo hemorragia, infeção da ferida, lacerações do esfíncter anal, dificuldades em urinar, incontinência anal, lesões do músculo elevador do ânus e problemas sexuais. O trauma perineal grave pode ser evitado com massagem perineal e compressas quentes, mas ainda não existem medidas eficazes para diminuir o trauma perineal de primeiro e segundo graus, que parece ser responsável pela maioria dos traumas perineais em partos vaginais.

O que pretendíamos descobrir?

A injeção perineal de hialuronidase (HAase) é uma forma de baixo risco, baixo custo e potencialmente eficaz de produzir relaxamento do períneo que tem sido proposta para diminuir o risco de lacerações espontâneas ou cortes deliberados (episiotomia), sem causar outros efeitos negativos. A segunda fase do trabalho de parto decorre desde que a entrada do útero (colo do útero) está completamente aberta até ao nascimento do bebé. Queríamos saber se a injeção perineal de HAase durante a segunda fase do trabalho de parto poderia reduzir o traumatismo perineal, a episiotomia ou a dor perineal após o parto vaginal, e se existiam efeitos indesejáveis.

O que fizemos?

Procurámos estudos conhecidos como ensaios controlados aleatorizados que avaliaram a injeção perineal de HAase em comparação com uma injeção de placebo ou nenhuma intervenção para reduzir o trauma perineal e as complicações relacionadas com o parto vaginal. As participantes nos estudos tinham de ser mulheres a dar à luz um bebé que fosse o seu primeiro filho e que estivesse na posição habitual para o parto. Comparamos e resumimos os resultados e classificámos a nossa confiança na evidência, com base em fatores tais como os métodos e o tamanho dos estudos.

O que encontrámos?

Encontrámos cinco estudos que envolveram 743 mulheres que deram à luz pela primeira vez. O maior estudo envolveu 200 mulheres e o mais pequeno 100 mulheres. Os estudos foram realizados na América Latina, América do Norte, Europa e Ásia.

Os estudos mostraram que a injeção perineal de HAase administrada durante a segunda fase do trabalho de parto pode resultar numa menor probabilidade de trauma perineal (definido como lacerações ou episiotomia ou ambos) em comparação com nenhuma intervenção em mulheres com parto vaginal (com base em 3 estudos com 426 participantes), mas pode não haver diferença entre a injeção de HAase e a injeção de placebo (com base em 3 estudos com 373 participantes). Ao comparar a injeção perineal de HAase com a injeção de placebo, 746 em cada 1.000 mulheres que receberam a injeção perineal de HAase podem ter traumatismo perineal, em comparação com 794 em cada 1.000 mulheres que receberam a injeção de placebo. Quando se compara a injeção perineal de HAase com a ausência de intervenção, 475 em cada 1.000 mulheres que recebem injeção perineal de HAase podem ter um traumatismo perineal, em comparação com 779 em cada 1.000 mulheres que não recebem qualquer intervenção.

A injeção perineal de HAase provavelmente reduziu o inchaço perineal 24 horas após o parto vaginal em comparação com a injeção de placebo (2 estudos; 303 participantes).

Pode não haver diferença entre os grupos na probabilidade de receber uma episiotomia, nem de ter lacerações perineais de primeiro e segundo graus, lacerações perineais de terceiro e quarto graus, inchaço perineal uma hora após o parto vaginal e uma pontuação de Apgar (medida da saúde do recém-nascido) inferior a 7 cinco minutos após o parto vaginal.

Não foram notificados quaisquer efeitos secundários (por exemplo, reações alérgicas, tendências hemorrágicas e dor local da injeção) nos estudos.

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança é limitada porque os resultados dos estudos variaram muito e os estudos envolveram apenas um pequeno número de participantes. Alguns estudos não relataram claramente como foram conduzidos, e outros não conseguiram garantir que os participantes e os avaliadores dos resultados não soubessem que participantes tinham recebido que injeção. Pesquisas futuras provavelmente poderão alterar nossos resultados.

Quão atualizada se encontra a evidência?

Esta revisão atualiza a nossa revisão anterior. A evidência encontra-se atualizada até novembro de 2023.

Zhou F, Zhang J, Li Y, Huang GQiong, Li J, Wang XDong

A utilização de antibióticos pode evitar uma infeção quando uma placenta retida é removida à mão após um parto vaginal?

3 months ago
Mensagens-chave
  • Os antibióticos (medicamentos para matar germes) podem ter pouco ou nenhum efeito na infeção do revestimento do útero após a remoção manual de uma placenta retida, mas a evidência é muito incerta.

  • Poderá ser necessário um estudo de maior dimensão, com um melhor desenho e uma melhor adequação à nossa questão de investigação, para se obterem melhores estimativas dos benefícios e potenciais danos dos antibióticos profiláticos (preventivos).

O que é uma retenção de placenta?

No parto natural, a expulsão da placenta ocorre pouco depois do nascimento do bebé. Ocasionalmente, a placenta não pode ser expulsa e fica retida no útero. Isto pode levar a uma perda significativa de sangue e a consequências graves, como a morte da mãe.

Como é tratada a retenção da placenta?

Depois de a mulher ser anestesiada, o médico introduz a mão no útero para retirar a placenta. Isto pode introduzir germes no útero e causar uma infeção no revestimento do útero.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir se a administração de um antibiótico imediatamente antes da remoção manual de uma placenta retida poderia prevenir a infeção do revestimento do útero. Também queríamos saber se estava associado a muitas perdas de sangue, infeções da corrente sanguínea, efeitos secundários indesejáveis e internamento do bebé na unidade de cuidados intensivos.

O que fizemos?

Procurámos estudos que investigaram a utilização de antibióticos profiláticos em comparação com a ausência de antibióticos em mulheres que foram submetidas a remoção manual da placenta. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos, classificando a nossa confiança na evidência com base em fatores como os métodos e a dimensão dos estudos.

O que descobrimos?

Encontrámos quatro estudos que envolveram 974 mulheres com retenção de placenta. Todos eles compararam os antibióticos profiláticos com a ausência de antibióticos. O estudo maior foi efetuado em 407 mulheres e o estudo mais pequeno em 100 mulheres. Os estudos foram realizados na Bulgária, Alemanha, Noruega e Israel. Nenhum estudo referiu uma fonte de financiamento.

Em comparação com a ausência de antibióticos, os antibióticos profiláticos:

  • têm um efeito pouco claro na infeção da cavidade uterina,

  • pode ter pouca ou nenhuma influência no facto de se perder muito sangue ou de o bebé ser internado na unidade de cuidados intensivos.

Não encontrámos estudos que nos ajudassem a responder ao efeito dos antibióticos profiláticos na infeção da corrente sanguínea ou a quaisquer efeitos secundários indesejáveis.

Quais são as limitações da evidência?

Não estamos confiantes nos resultados do efeito sobre a infeção do revestimento do útero, porque alguns fatores desconhecidos podem estar a interferir com o seu efeito. Alguma evidência focou-se em qualquer intervenção uterina pós-parto, enquanto o procedimento que queríamos avaliar era mais específico. A evidência baseia-se apenas em alguns casos de infeção.

Temos pouca confiança na evidência para uma grande perda de sangue ou admissão do bebé na unidade de cuidados intensivos, porque alguns fatores desconhecidos podem estar a interferir com o seu efeito, e não havia estudos suficientes para ter a certeza sobre os resultados dos nossos resultados.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

Esta revisão atualiza a nossa revisão Cochrane de 2014. A evidência encontra-se atualizada até março de 2024.

Kongwattanakul K, Pattanittum P, Jongjakapun A, Sothornwit J, Ngamjarus C, Jampathong N, Waidee T, Lumbiganon P

Toque vaginal de rotina no trabalho de parto

3 months ago
Qual é o problema?

O objetivo desta Revisão Cochrane foi descobrir se os exames vaginais de rotina para avaliar a evolução do trabalho de parto são eficazes e aceitáveis para as mulheres, e comparar a utilização destes exames com outros métodos de avaliação da evolução do trabalho de parto.

Porque é que isto é importante?

O trabalho de parto é geralmente monitorizado para garantir que está a evoluir como esperado e que não há sinais de evolução anormal que possam ser prejudiciais para a mãe ou para o bebé. O método mais utilizado é o exame vaginal de rotina (realizado em intervalos regulares), que fornece informações sobre a dilatação do colo do útero da mulher e a posição do bebé. Os trabalhos de parto muito lentos podem ser um sinal de problemas subjacentes que podem exigir intervenções para acelerar o trabalho de parto e o nascimento (aumento). No entanto, os trabalhos de parto lentos também podem ser uma variação normal da evolução do trabalho de parto, e evidência recente sugere que, se a mãe e o bebé estiverem bem, a duração do trabalho de parto ou a dilatação cervical não devem ser utilizadas para decidir se o trabalho de parto está a progredir normalmente.

Outros métodos para avaliar o progresso do trabalho de parto incluem a utilização de ultra-sons, a avaliação do comportamento da mãe e sinais físicos externos de progresso, como uma linha roxa que se desenvolve entre as nádegas da mãe à medida que o trabalho de parto progride. No entanto, estes métodos não são uma prática corrente. O método mais eficaz para avaliar o progresso do trabalho ainda não foi estabelecido.

Os exames vaginais podem ser desconfortáveis, dolorosos e angustiantes. Se os partos lentos mas normais forem incorretamente diagnosticados como sendo anormais, isso pode levar a intervenções desnecessárias, como o aumento de volume ou a cesariana. Algumas mulheres podem não querer estas intervenções, e a sua utilização pode causar danos emocionais e físicos. Um diagnóstico incorreto da evolução do trabalho de parto pode ser física e emocionalmente devastador. Os pontos de vista e as experiências das mulheres sobre os métodos utilizados para avaliar a evolução do trabalho de parto devem ser tidos em conta, juntamente com evidência de eficácia.

Que evidência encontrámos?

Fizemos a pesquisa em fevereiro de 2021 e incluímos quatro estudos, com dados relativos a 744 mulheres e bebés. Em geral, a evidência era incerta ou muito incerta devido aos métodos de estudo e à inclusão de um pequeno número de mulheres e bebés.

Exames vaginais de rotina versus ecografia de rotina (um estudo, 83 mulheres e bebés)

Estudo realizado na Turquia envolvendo mulheres com início espontâneo do trabalho de parto e que tinham dado à luz anteriormente: os exames vaginais de rotina podem resultar num ligeiro aumento da dor em comparação com a ecografia de rotina para avaliar a evolução do trabalho de parto. 

O estudo não avaliou os nossos outros resultados primários: experiência de parto positiva; aumento do trabalho de parto; parto vaginal espontâneo; corioamnionite (inflamação ou infeção das membranas à volta do bebé); infeção neonatal; admissão na unidade de cuidados intensivos neonatais (UCIN).

Exames vaginais de rotina versus exames retais de rotina (um estudo, 307 mulheres e bebés)

Estudo realizado na Irlanda com mulheres em trabalho de parto a termo. Em comparação com os exames retais de rotina, os exames vaginais de rotina podem ter pouco ou nenhum efeito sobre: aumento do trabalho de parto; parto vaginal espontâneo; infeções neonatais; admissão na UCIN. 

O estudo não avaliou nossos outros desfechos primários: experiência positiva do parto; corioamnionite; dor materna.

Exames vaginais de rotina de quatro horas versus exames de rotina de duas horas (um estudo, 150 mulheres e bebés)

Estudo britânico que envolveu mulheres que tiveram o seu primeiro bebé em trabalho de parto a termo. Em comparação com os exames vaginais de rotina de duas horas, os exames vaginais de rotina de quatro horas podem ter pouco ou nenhum efeito no aumento do trabalho de parto ou no parto vaginal espontâneo - os resultados foram compatíveis tanto com um benefício como com um dano.

O estudo não avaliou os nossos outros resultados primários: experiência de parto positiva; corioamnionite; infeção neonatal; admissão na UCI neonatal; dor materna.

Exames vaginais de rotina versus exames vaginais conforme indicado (um estudo, 204 mulheres e bebés)

Estudo realizado na Malásia que envolveu mulheres que tiveram o seu primeiro bebé e foram induzidas a termo. Em comparação com os exames vaginais conforme indicado, os exames vaginais de rotina de quatro horas podem resultar num aumento do trabalho de parto em mais mulheres. Pode haver pouco ou nenhum efeito sobre o parto vaginal espontâneo, a corioamnionite, a infeção neonatal ou a admissão na UCI neonatal. 

O estudo não avaliou os nossos outros resultados primários de experiência de parto positiva ou dor materna.

O que significam estes resultados?

Não podemos ter a certeza de qual o método de avaliação da evolução do trabalho de parto mais eficaz ou aceitável para as mulheres. É necessária mais evidência para identificar a melhor forma de avaliar a evolução do trabalho de parto e a forma como isso pode afetar as experiências de parto das mulheres. 

Moncrieff G, Gyte GML, Dahlen HG, Thomson G, Singata-Madliki M, Clegg A, Downe S

Medicamentos para melhorar a função placentária em mulheres grávidas que têm bebés com crescimento deficiente

3 months ago
Qual é o problema?

Em cerca de 0,4% das gravidezes, o feto sofre de um crescimento deficiente porque a placenta é incapaz de fornecer uma nutrição adequada. Estes bebés correm um risco elevado de morrer no útero devido ao fraco fornecimento de nutrição e oxigénio. Por este motivo, os médicos fazem frequentemente o parto destes bebés antes do termo, a fim de os alimentar fora do útero. Mas estes nascimentos precoces significam que os bebés são prematuros e têm um peso muito baixo à nascença. Por este motivo, estes bebés correm o risco de sofrer graves problemas de saúde nos primeiros meses de vida e a longo prazo. O objetivo desta Revisão Cochrane foi descobrir se os medicamentos que afetam a via do óxido nítrico (por exemplo, sildenafil, tadalafil, L-arginina e nitroglicerina) podem melhorar os resultados destes bebés. Apenas estudámos bebés cuja restrição de crescimento se devia a problemas com a placenta. Recolhemos e analisámos todos os estudos relevantes para responder a esta pergunta.

Porque é que isto é importante?

Atualmente, não se conhece nenhum tratamento eficaz que melhore a função placentária, pelo que o parto prematuro é a única opção. Tem havido um grande interesse em medicamentos que possam melhorar o fluxo sanguíneo da mãe para a placenta. O objetivo deste tratamento é melhorar o funcionamento da placenta, de modo a melhorar o crescimento do bebé antes do nascimento, o que permitiria aos médicos atrasar o parto, aumentando assim as hipóteses de sobrevivência saudável.

Que evidência encontrámos?

Procurámos estudos publicados em 16 de julho de 2022 e oito estudos abordam a nossa questão de investigação. Foram investigados quatro fármacos relevantes diferentes (sildenafil, tadalafil, L-arginina e nitroglicerina). Nenhum dos quatro medicamentos levou a que mais bebés sobrevivessem. No entanto, para três dos quatro tratamentos (tadalafil, L-arginina e nitroglicerina), o tratamento foi investigado apenas em pequenos grupos de mulheres grávidas, pelo que é difícil tirar conclusões definitivas.

Citrato de sildenafil comparado com placebo ou sem terapêutica (5 estudos, 516 mulheres)

Cinco estudos (Canadá, Austrália e Nova Zelândia, Países Baixos, Reino Unido e Brasil) que envolveram 516 mulheres grávidas com restrição do crescimento fetal.

O sildenafil comparado com placebo ou sem terapia provavelmente não faz diferença na incidência de mortalidade por todas as causas, mortalidade fetal e mortalidade neonatal.

Tadalafil comparado com placebo ou sem terapêutica (1 estudo, 87 mulheres)

Um estudo (Japão) que envolveu 87 mulheres grávidas com restrição do crescimento fetal.

O tadalafil provavelmente não faz diferença na incidência de mortalidade por todas as causas, mortalidade fetal e mortalidade neonatal.

L-Arginina em comparação com placebo ou sem terapêutica (1 estudo, 43 mulheres)

Um estudo (França) que envolveu 43 mulheres grávidas com restrição do crescimento fetal. Este estudo não avaliou os nossos resultados primários.

Nitroglicerina em comparação com placebo ou sem terapêutica (1 estudo, 23 mulheres)

Um estudo (Brasil) que envolveu 43 mulheres grávidas com restrição do crescimento fetal.

O efeito sobre os resultados primários não é estimável, uma vez que não ocorreu qualquer mortalidade fetal ou neonatal nas mulheres que participaram em ambos os grupos de intervenção.

Citrato de sildenafil comparado com nitroglicerina (1 estudo, 23 mulheres)

Um estudo (Brasil) que envolveu 23 mulheres grávidas com restrição do crescimento fetal.

O efeito sobre os resultados primários não é estimável, uma vez que não ocorreu qualquer mortalidade fetal ou neonatal nas mulheres que participaram em ambos os grupos de intervenção.

O que significam estes resultados?

Em relação aos medicamentos que foram investigados, o sildenafil provavelmente não aumenta as hipóteses de sobrevivência a curto prazo (saudável) dos bebés que sofrem de restrição de crescimento durante a gravidez. Relativamente ao tadalafil, à L-arginina e à nitroglicerina, os dados são insuficientes para se poder formar uma opinião. No caso do sildenafil, estamos moderadamente certos de que é esse o caso, mas para os outros tratamentos são necessários mais estudos para fornecer informações suficientes para responder a esta questão. Além disso, nenhum dos estudos relatou os efeitos a longo prazo destes medicamentos, o que é uma informação muito importante a saber.

Pels A, Ganzevoort W, Kenny LC, Baker PN, von Dadelszen P, Gluud C, Kariya CT, Leemhuis AG, Groom KM, Sharp AN, Magee LA, Jakobsen JC, Mol BWJ, Papageorghiou AT

Resultados da mãe e do bebé após um parto normal e um parto por cesariana (cesariana) em mulheres com doenças hemorrágicas e portadoras

3 months ago
Questão da revisão

Analisámos a evidência sobre os resultados da mãe e do bebé após o parto vaginal natural e a cesariana (cesariana) em mulheres com distúrbios hemorrágicos e portadoras. Esta é uma atualização de uma revisão Cochrane publicada anteriormente.

Contexto

Quisemos rever a forma mais segura de dar à luz bebés em mulheres com doenças hemorrágicas e portadoras e avaliar os problemas que podem ocorrer durante o parto para a mãe e o bebé com qualquer um dos métodos de parto.

Data de pesquisa

A evidência encontra-se atualizada até: 21 de junho de 2021.

Resultados-chave

Não encontrámos ensaios controlados aleatorizados ou quase aleatorizados para analisar a forma mais segura (parto vaginal natural ou cesariana) de dar à luz os bebés e os problemas encontrados durante o parto pelas mães e bebés nesta população. Dada a raridade das doenças e o desafio de realizar ensaios durante a gravidez, é improvável que sejam realizados ensaios controlados aleatorizados no futuro. Por conseguinte, os médicos terão de tomar decisões relativamente ao tratamento utilizando evidência de nível inferior.

Karanth L, Abas ABL

Quais são as melhores opções de apoio à respiração através do nariz para bebés prematuros após a remoção de um tubo de respiração?

3 months ago
Mensagens-chave
  • Descobrimos que alguns métodos podem ser melhores do que outros para evitar a falha do tratamento e a necessidade de reinserir um tubo de respiração na traqueia, mas a evidência é incerta.

  • É necessária mais investigação que incorpore diretrizes rigorosas nos desenhos dos estudos, comparando também os diferentes métodos utilizando as mesmas pressões de ar e incluindo mais bebés extremamente prematuros nascidos antes das 28 semanas de gravidez.

O que é o suporte respiratório não invasivo após a extubação (retirada do tubo de respiração depois de o bebé ter estado na máquina de respiração)?

Os bebés prematuros necessitam frequentemente de ajuda para respirar, uma vez que os seus pulmões não estão completamente desenvolvidos. Isto é feito através da ligação de um tubo de respiração inserido na traqueia a uma máquina que respira pelo bebé. À medida que a respiração e os pulmões do bebé melhoram, é dada assistência respiratória não invasiva que não requer um tubo de respiração. Esta é administrada através do nariz (chamada nasal) para apoiar a respiração.

O que queríamos descobrir?

Comparámos a informação disponível na literatura médica sobre sete tipos de suporte respiratório nasal (cada um utilizando diferentes combinações de caudais, pressões e tempos) para determinar qual é o mais eficaz em bebés prematuros após a remoção do tubo de respiração na prevenção do insucesso do tratamento (quando a respiração do bebé piora e é necessária ajuda adicional, como mais oxigénio ou um tubo de respiração), na redução da necessidade de reinserção de um tubo de respiração (para ajudar a respirar) e na diminuição da gravidade dos problemas pulmonares de longa duração .

O que fizemos?

Revisámos estudos que compararam diferentes combinações de caudais, pressões e tempos utilizados para apoiar a respiração de bebés prematuros (com menos de 37 semanas de gravidez) após a remoção do tubo de respiração.

O que encontrámos?

Encontrámos 54 estudos com 6995 bebés prematuros para comparar diferentes tipos de suporte respiratório não invasivo.

A ventilação nasal com pressão positiva intermitente (que utiliza dois níveis de pressão com breves rajadas de ar) pode diminuir o risco de insucesso do tratamento e pode evitar a necessidade de reinserção de um tubo de respiração, em comparação com a pressão positiva contínua nas vias respiratórias (um fluxo constante de ar) ou a cânula nasal de alto fluxo (ar administrado através de pequenos tubos a taxas de fluxo mais elevadas). A ventilação oscilatória não invasiva de alta frequência (com respirações minúsculas e rápidas) reduz provavelmente o risco de insucesso do tratamento e evita provavelmente a necessidade de reinserção de um tubo de respiração, em comparação com a pressão positiva contínua nasal nas vias respiratórias (um fluxo constante de ar) ou a cânula nasal de alto fluxo (pequenos tubos com taxas de fluxo mais elevadas). Para além disso, a ventilação oscilatória não invasiva de alta frequência, que permite pequenas respirações rápidas, pode reduzir o risco de problemas pulmonares duradouros.

O nosso grau de certeza da evidência era moderado a baixo, pelo que não pudemos tirar conclusões definitivas.

Estes resultados foram semelhantes quando se considerou o grupo de bebés nascidos com 28 semanas de gravidez ou mais. Em contrapartida, não se verificaram diferenças nos bebés nascidos com menos de 28 semanas de gravidez, embora os resultados nesta população fossem demasiado escassos.

Quais são as limitações da evidência?

A evidência é limitada para os bebés extremamente prematuros nascidos com menos de 28 semanas de gravidez. Os estudos também variaram na forma como compararam os diferentes métodos, especialmente no que diz respeito aos níveis de fluxo das vias aéreas. Este facto pode ter afetado os resultados. Por último, temos pouca ou nenhuma confiança em alguns dos resultados devido a uma série de problemas com a forma como os estudos foram efetuados.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até janeiro de 2024.

Razak A, Shah PS, Kadam M, Borhan S, Mukerji A

Quais são os benefícios e os riscos do metotrexato para a artrite idiopática juvenil?

3 months 1 week ago
Mensagens-chave

- Em comparação com o placebo (comprimido simulado), o metotrexato (um medicamento para parar ou abrandar a artrite inflamatória) pode fazer com que mais crianças e jovens obtenham uma melhoria dos sintomas aos seis meses, com pouco ou nenhum efeito na dor, no bem-estar, no risco de efeitos indesejáveis graves ou no número de pessoas que interrompem o tratamento (desistências) devido a efeitos indesejáveis.
- Em comparação com a ausência de metotrexato, o metotrexato pode ter benefícios e danos semelhantes em crianças e jovens com artrite oligoarticular (um tipo de artrite que envolve menos de cinco articulações) aos 12 meses, quando administrado em conjunto com esteroides intra-articulares (administrados na articulação), com pouco ou nenhum efeito na remissão ou desistências devido a efeitos indesejáveis.
- O metotrexato pode ter benefícios e malefícios semelhantes aos da leflunomida (um medicamento anti-inflamatório alternativo para a artrite) em crianças e jovens aos quatro meses, com pouco ou nenhum efeito na melhoria dos sintomas, função, bem-estar, risco de efeitos indesejáveis graves ou retirada devido a efeitos indesejáveis.

O que é a artrite idiopática juvenil?

A artrite idiopática juvenil é a doença reumática mais comum na infância, em que o sistema imunitário, que normalmente combate as infeções, ataca o revestimento das articulações, tornando-as inchadas, rígidas e dolorosas.

Como é que a artrite idiopática juvenil é tratada?

A artrite idiopática juvenil é tratada com um grupo de medicamentos chamados fármacos anti-reumáticos modificadores da doença (DMARDs), que podem ajudar a prevenir danos nas articulações e a aliviar a dor e a rigidez. O metotrexato é o DMARD mais frequentemente utilizado. Outros tratamentos incluem medicamentos anti-inflamatórios não esteroides e esteroides.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se o metotrexato era melhor do que nenhum tratamento, placebo (comprimido falso), ou DMARDs alternativos para melhorar os sintomas (articulações sensíveis e inchadas), dor, função e bem-estar. Também queríamos saber se o metotrexato tinha quaisquer efeitos indesejáveis graves, ou se era provável que as pessoas deixassem de usar metotrexato devido a efeitos indesejáveis.

O que fizemos?

Procurámos estudos que investigaram o metotrexato em comparação com placebo ou DMARDs alternativos em crianças e jovens com artrite idiopática juvenil.

O que encontrámos?

Esta é uma atualização de uma Revisão Cochrane publicada pela primeira vez em 2001. Incluímos cinco estudos com um total de 575 participantes. Três ensaios compararam metotrexato com placebo, um comparou metotrexato mais terapia esteroide intra-articular (administrada na articulação) com terapia esteroide intra-articular isolada, e um comparou metotrexato com um DMARD alternativo (leflunomida). Os estudos foram realizados na Austrália, Áustria, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Índia, Itália, Países Baixos, Nova Zelândia, antiga União Soviética, Espanha, Suíça, Reino Unido e EUA.

Metotrexato em comparação com placebo

O metotrexato, em comparação com o placebo, pode aumentar a probabilidade de melhoria dos sintomas, mas pode ter pouco ou nenhum efeito na dor ou no bem-estar até seis meses. Os estudos mediram a melhoria dos sintomas (número de articulações sensíveis ou inchadas e outros resultados, como a dor e a incapacidade) utilizando um índice composto. Aos seis meses, 40% dos participantes que utilizaram metotrexato e 24% dos participantes que receberam placebo relataram uma melhoria dos sintomas. Aos seis meses, 49% dos participantes que tomaram metotrexato e 40% dos participantes que tomaram placebo relataram sucesso no tratamento. Os estudos mediram a dor numa escala de 0 a 100 (0 significa ausência de dor). Aos seis meses, a dor relatada era 12,6 pontos mais baixa no grupo do metotrexato e 11,5 pontos mais baixa no grupo do placebo.

Pode haver pouca ou nenhuma diferença entre o metotrexato e o placebo no risco de acontecimentos indesejáveis graves ou na taxa de abandono do tratamento devido a acontecimentos indesejáveis até seis meses. Os acontecimentos indesejáveis graves incluíram sobredosagem inadvertida no grupo do metotrexato e dor abdominal grave no grupo do placebo. Menos de 1% das crianças e jovens que receberam metotrexato sofreram um acontecimento indesejável grave, em comparação com 1,4% dos que receberam placebo. Não se registaram desistências devido a acontecimentos indesejáveis no grupo do placebo e seis desistências devido a acontecimentos indesejáveis no grupo do metotrexato.

Nenhum estudo mediu a função ou o número de participantes com doença clinicamente inativa.

Outras comparações

Estudos isolados mostram que o metotrexato pode não ter quaisquer benefícios adicionais quando utilizado juntamente com a injeção intra-articular de glucocorticoides, ou em comparação com a leflunomida.

Quais são as limitações da evidência?

Temos pouca confiança na evidência, que pode subestimar o efeito terapêutico do metotrexato devido à dosagem subótima, às baixas taxas de eventos e ao pequeno número de participantes nos ensaios. Não temos a certeza do risco de acontecimentos indesejáveis graves e de acontecimentos indesejáveis que levem à interrupção do tratamento, devido ao número muito reduzido de acontecimentos.

Não comparámos diferentes métodos de administração de metotrexato (por exemplo, comprimidos, injeção) ou diferentes doses de metotrexato.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até 1 de fevereiro de 2023.

Tan J, Renton WD, Whittle SL, Takken T, Johnston RV, Tiller G, Munro J, Buchbinder R

Antidepressivos para transtorno de ansiedade generalizada

3 months 1 week ago
Mensagens principais

– Os antidepressivos são mais eficazes que o placebo (medicamento sem efeito terapêutico) na melhoria da resposta ao tratamento e têm aceitabilidade semelhante ao placebo. Menos participantes desistiram devido à falta de eficácia no grupo antidepressivo em comparação ao grupo placebo, e mais participantes desistiram devido a efeitos adversos no grupo antidepressivo em comparação ao grupo placebo.

– Estudos futuros devem ser mais transparentes com seus métodos e relatórios de desfecho. Revisões futuras devem incluir pessoas com condições médicas concomitantes (comorbidades).

O que é transtorno de ansiedade generalizada?

Transtorno de ansiedade generalizada é uma condição de saúde mental caracterizada por ansiedade excessiva e preocupação contínua com eventos cotidianos. O transtorno de ansiedade generalizada é comum e, em geral, afeta mulheres duas vezes mais do que homens.

Como o transtorno de ansiedade generalizada é tratado?

Os tratamentos incluem várias abordagens psicológicas (que atuam nos pensamentos e comportamentos da pessoa) e medicamentos. Entre os medicamentos, os antidepressivos (utilizados para tratar a depressão), particularmente dois tipos chamados inibidores seletivos de recaptação de serotonina e inibidores de recaptação de serotonina-noradrenalina, são comumente usados para o tratamento do transtorno de ansiedade generalizada, e muitos estudos demonstraram seus benefícios em relação a um tratamento placebo.

A quem essa revisão pode interessar?

Pessoas com transtorno de ansiedade generalizada, médicos e profissionais de saúde mental.

O que queríamos descobrir?

Esta revisão teve como objetivo fornecer um resumo atualizado de todas as evidências disponíveis sobre este tópico. Em particular, queríamos descobrir:

– quão eficazes os antidepressivos são comparados ao placebo no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada;

– quão aceitáveis são os antidepressivos em comparação ao placebo no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada; e

– quantos efeitos adversos os antidepressivos têm em comparação ao placebo em pessoas com transtorno de ansiedade generalizada.

O que fizemos?

Buscamos estudos que comparassem antidepressivos ao placebo para tratar adultos com transtorno de ansiedade generalizada, sem outras condições médicas graves concomitantes.

O que encontramos?

Encontramos 37 estudos que envolveram 12.226 adultos com transtorno de ansiedade generalizada. Os estudos duraram entre quatro e 28 semanas.

Os antidepressivos foram mais eficazes que o placebo na redução da ansiedade, e não houve diferença entre os grupos quanto ao número total de pessoas que abandonaram os estudos precocemente.

Menos pessoas no grupo antidepressivo abandonaram os estudos precocemente porque o antidepressivo foi considerado ineficaz em comparação ao placebo, e mais pessoas no grupo antidepressivo abandonaram os estudos precocemente devido a efeitos adversos em comparação ao placebo.

Quais são as limitações das evidências?

Estamos confiantes em nossas descobertas, pois elas se aplicam a pessoas com transtorno de ansiedade generalizada sem outras condições médicas concomitantes. No entanto, as evidências não são fortes o suficiente para criar uma diretriz clínica para pessoas com outras condições médicas concomitantes, pois elas foram excluídas de nossas análises.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até outubro de 2022.

Kopcalic K, Arcaro J, Pinto A, Ali S, Barbui C, Curatoli C, Martin J, Guaiana G

Quão eficazes são as diferentes maneiras de ajudar pessoas vivendo com HIV a parar de fumar? Elas causam efeitos indesejados?

3 months 1 week ago
Mensagens principais

• A vareniclina (um medicamento que diminui a vontade de fumar) quando comparada ao placebo (pílula falsa) provavelmente ajuda pessoas vivendo com HIV que fumam tabaco a parar de fumar por seis meses ou mais, e pode não aumentar as chances de sofrer efeitos colaterais graves.

• Não sabemos se outros métodos usados para ajudar as pessoas a parar de fumar podem ajudar as pessoas que vivem com HIV a parar de fumar por seis meses ou mais, porque não encontramos informações suficientes.

• Estudos futuros devem ser maiores e fornecer informações sobre eventos indesejados graves.

Por que o uso de tabaco entre pessoas vivendo com HIV é um problema?

Muitas pessoas que vivem com HIV no mundo todo usam tabaco, ou seja, a folha da planta do tabaco e seus produtos, por exemplo, fumando, mastigando, chupando ou cheirando. O uso do tabaco causa uma série de problemas de saúde e muitas mortes, mas as pessoas se tornam viciadas na nicotina do tabaco e têm dificuldade para parar. As taxas de tabagismo são cerca de quatro vezes maiores em pessoas vivendo com HIV do que na população em geral. Infelizmente, mesmo com acesso a um tratamento eficaz para o HIV, pessoas vivendo com HIV podem perder cerca de 12 anos de vida devido ao tabagismo - mais do que o dobro dos anos que provavelmente perderiam apenas por conta da infecção pelo HIV.

Como as pessoas que vivem com HIV podem parar de fumar?

Os métodos usados para ajudar as pessoas a parar de fumar incluem medicamentos como terapia de reposição de nicotina (TRN), vareniclina e citisina (medicamentos que diminuem a vontade de fumar) e bupropiona (um antidepressivo). Outros métodos incluem terapias comportamentais, como informações sobre os riscos do tabagismo (conselhos breves) ou aconselhamento individual ou em grupo (apoio comportamental). Alguns serviços de saúde tentam mudar a maneira como prestam cuidados (mudança de sistema). Não está claro se essas intervenções podem ajudar pessoas vivendo com HIV a parar de fumar.

O que queríamos descobrir?

Queríamos encontrar os melhores métodos para ajudar pessoas vivendo com HIV a parar de fumar e verificar se houve efeitos indesejados.

O que fizemos?

Buscamos estudos que investigaram métodos para parar de fumar direcionados especificamente a adultos com diagnóstico de HIV. Além disso, estudos sobre mudanças sistêmicas, voltados para pessoas vivendo com HIV que estavam recebendo cuidados ou para profissionais de saúde que trabalhavam nesses estabelecimentos. Estudos podem comparar métodos para parar de fumar com um placebo (simulador) ou nenhum tratamento, ou outro método. Incluímos apenas estudos que avaliaram a cessação do tabagismo por seis meses ou mais. O ideal seria que a cessação do tabagismo fosse verificada com um teste químico. Também queríamos descobrir se os métodos para parar de fumar causavam efeitos colaterais graves.

Comparamos e resumimos os resultados dos estudos. Além disso, classificamos a certeza da evidência (grau de certeza nas evidências) com base em fatores como o número de participantes e a qualidade dos métodos usados nos estudos.

O que encontramos?

Encontramos 17 estudos com 9959 pessoas. Doze estudos foram realizados nos EUA. Quinze estudos investigaram a cessação do tabagismo, tanto com indivíduos quanto com grupos. Dois estudos avaliaram mudanças na forma como o atendimento era prestado a pessoas vivendo com HIV que frequentavam uma unidade de saúde.

Apoio comportamental ou mudança de sistema em comparação com nenhum apoio comportamental ou apoio comportamental menos intensivo
• Não houve evidência claras de que o apoio comportamental fosse mais efetivo para parar de fumar do que um breve aconselhamento ou nenhum apoio (7 estudos, 2314 pessoas).

• Alterar o processo da linha de apoio para parar de fumar, substituindo a referência por fax para uma ligação direta e transferência da chamada ao paciente enquanto ele ainda está no hospital, não mostrou evidências claras de melhores taxas de cessação (1 estudo, 25 pessoas).

• Nenhum dos estudos nesta comparação avaliou efeitos colaterais graves.

Medicamentos para parar de fumar em comparação com placebo, nenhuma medicação ou outro tipo de medicação
• A vareniclina provavelmente ajuda pessoas vivendo com HIV a parar de fumar em comparação ao placebo (2 estudos, 427 participantes).

• Estudos individuais analisaram suporte comportamental mais TRN em comparação com aconselhamento breve, suporte comportamental mais TRN em comparação com suporte comportamental sozinho, vareniclina em comparação com TRN e citisina em comparação com TRN. As evidências não indicaram que qualquer um desses métodos seja eficaz para ajudar as pessoas a parar de fumar.

• Provavelmente não há mais efeitos indesejados com a vareniclina do que com o placebo (2 estudos, 427 participantes). Pode não haver diferença na proporção de pessoas que apresentam efeitos colaterais graves entre suporte comportamental mais TRN e apenas suporte comportamental (1 estudo, 560 pessoas). Nenhum estudo avaliou efeitos colaterais graves do suporte comportamental mais TRN em comparação com aconselhamento breve, vareniclina em comparação com TRN e citisina em comparação com TRN.

Quais são as limitações das evidências?

Nossa confiança geral nas evidências é de moderada a muito baixa, principalmente porque não houve estudos suficientes para termos certeza sobre os resultados e, às vezes, não tínhamos todas as informações necessárias para avaliar a qualidade dos estudos.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

Esta é uma atualização de uma revisão Cochrane anterior. As evidências estão atualizadas até dezembro de 2022.

Mdege ND, Shah S, Dogar O, Pool ERM, Weatherburn P, Siddiqi K, Zyambo C, Livingstone-Banks J

Comparando tratamentos de pele para eczema

3 months 1 week ago
Mensagens-chave:

° Corticosteroides fortes, inibidores da janus quinase e tacrolimo 0,1% (todos os medicamentos que suprimem o sistema imunológico) são consistentemente efetivos na redução de sinais e sintomas de eczema.

° Efeitos indesejados, como queimação e ardência, são mais prováveis com tacrolimo, pimecrolimo e crisaborol e menos prováveis com corticosteroides; outros efeitos indesejados, como afinamento da pele, só são prováveis quando corticosteroides fortes são usados a longo prazo.

° Dada a incerteza sobre a efetividade e segurança a longo prazo, outros fatores, como disponibilidade, custo e prioridades, devem ser considerados.

O que queríamos descobrir?

Eczema (dermatite atópica) é uma doença inflamatória comum da pele sem cura. Comparamos vários tratamentos anti-inflamatórios aplicados na pele (tópicos) usados para reduzir os sintomas do eczema. Queríamos encontrar os tratamentos anti-inflamatórios tópicos mais efetivos e seguros para pessoas com eczema.

O que nós fizemos?

Incluímos ensaios clínicos randomizados para pessoas com eczema de todas as idades e gravidades de eczema. Os tratamentos tópicos tiveram que ser usados por pelo menos uma semana e foram comparados com outros tratamentos anti-inflamatórios ou nenhum. Excluímos estudos sobre dermatite de contato ou eczema das mãos, assim como estudos sobre antibióticos, terapias complementares, hidratantes isolados, fototerapia, bandagens úmidas ou tratamentos administrados em forma de comprimido, xarope ou injeção.

Analisamos diferentes tipos de evidências de efetividade: sintomas de eczema relatados por pacientes, sinais de eczema relatados por médicos e efeitos colaterais. Nossa análise seguiu os procedimentos padrão da Cochrane, e utilizamos uma ferramenta chamada CiNEMA para avaliar nossa confiança nas evidências.

O que nós encontramos?

Analisamos 291 estudos envolvendo 45.846 pessoas com eczema de diferentes gravidades. A maioria dos estudos ocorreu em países mais ricos e focou em adultos. Apenas 31 estudos focaram em crianças menores de 12 anos. Eles avaliaram tratamentos como cremes de corticosteroides e inibidores de calcineurina. Os estudos duraram entre sete dias e cinco anos e a maioria foi financiado por empresas que produzem tratamentos anti-inflamatórios para eczema.

Corticosteroides potentes, inibidores da Janus quinase, como ruxolitinibe 1,5%, e tacrolimo 0,1% foram consistentemente efetivos na redução dos sinais e sintomas do eczema. Os inibidores da fosfodiesterase-4, como o crisaborol 2%, estavam entre os menos efetivos. Efeitos colaterais como queimação e ardência foram mais prováveis com tacrolimo, pimecrolimo e crisaborol e menos prováveis com corticosteroides. Não houve evidência de aumento do afinamento da pele com o uso de curto prazo (16 semanas ou menos) de qualquer tratamento, incluindo corticosteroides potentes uma ou duas vezes ao dia. Descobrimos que o uso prolongado (mais de 16 semanas) de corticosteroides pode aumentar o afinamento da pele. O afinamento da pele ocorreu em cerca de 1 em cada 300 pessoas que usaram corticosteroides leves, moderados ou potentes por seis meses a cinco anos.

Nossa certeza na evidência variou entre os diferentes tipos de medidas e tratamentos. Isso dependia de fatores como o tamanho e o número de estudos sobre os diferentes tratamentos, a variação dos resultados entre os estudos e se julgamos que os resultados foram relatados de forma justa.

Quais são as limitações das evidências?

Não havia informações suficientes sobre a efetividade e segurança a longo prazo dos tratamentos anti-inflamatórios tópicos. Esta revisão deve ser vista como um guia sobre a variedade de tratamentos que são mais efetivos e seguros para o controle de curto prazo da maioria das pessoas com eczema. A disponibilidade do produto, o custo e as prioridades individuais variam, portanto, não há um único tratamento que seja o melhor para todos.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até junho de 2023.

Lax SJ, Van Vogt E, Candy B, Steele L, Reynolds C, Stuart B, Parker R, Axon E, Roberts A, Doyle M, Chu DK, Futamura M, Santer M, Williams HC, Cro S, Drucker AM, Boyle RJ

Zinco para prevenir e tratar o resfriado comum

3 months 1 week ago

Mensagens principais
- Pode haver pouca ou nenhuma redução no risco de pegar um resfriado com o uso de suplementos de zinco em comparação ao placebo.

- Para pessoas que já estão resfriadas, os suplementos de zinco podem ajudar a reduzir o tempo de duração do resfriado em comparação com o placebo.

- O uso de zinco para tratar resfriados provavelmente aumenta o risco de efeitos colaterais leves.

O que é o resfriado comum?
O resfriado comum é principalmente uma infecção viral das vias respiratórias superiores. Não existe uma combinação específica de sintomas que defina um resfriado, mas os sintomas podem incluir congestão nasal, espirros, dor de garganta, tosse, fadiga e coriza, com ou sem febre. A maioria das pessoas geralmente se recupera dessa doença sem tratamento médico; no entanto, não existem tratamentos definitivos para prevenir resfriados ou encurtar sua duração. Dada a frequência de resfriados em adultos e crianças, eles representam um problema de saúde pública e uma causa significativa de perda de produtividade no trabalho e faltas escolares. A prevenção e o tratamento do resfriado comum com zinco são um tema de interesse contínuo.

O que queríamos descobrir?
Queríamos descobrir se o zinco era mais eficaz que o placebo em reduzir o risco de pegar um resfriado e diminuir a duração dos resfriados já existentes. Um placebo é uma substância semelhante em aparência a um tratamento, mas que não tem efeito terapêutico conhecido. Placebos ajudam a avaliar os efeitos da crença de que um tratamento foi recebido em comparação com o tratamento de fato recebido.

Também queríamos descobrir se o zinco estava associado a efeitos colaterais (por exemplo, danos), especialmente danos considerados como possíveis complicações do resfriado comum. Além disso, analisamos a gravidade geral do resfriado relatada pelas pessoas, a gravidade dos sintomas individuais, a duração dos sintomas e os dias de falta no trabalho ou na escola.

O que fizemos?
Buscamos em seis bases de dados e dois registros de ensaios clínicos que comparassem o zinco com o placebo para o tratamento ou prevenção do resfriado comum em adultos e crianças. Comparamos e resumimos os resultados dos estudos, e avaliamos nossa confiança nas evidências com base em fatores específicos, como risco de viés e métodos dos estudos.

O que encontramos?
Encontramos 34 estudos de prevenção ou tratamento de resfriado. Os estudos foram realizados em 13 países, a maioria nos EUA. Doze estudos foram realizados com crianças (com menos de 18 anos) e 22 estudos foram realizados com adultos. A maioria dos tratamentos terminou com resolução dos sintomas relatada pelas pessoas, e a duração mínima de cinco e máxima de 540 dias. A maioria dos estudos foi financiada por uma organização ligada ao comércio/indústria relacionada ou não informou sua fonte de financiamento. O restante foi financiado por clínicas privadas, fundações não governamentais, universidades ou entidades governamentais.

Avaliamos os efeitos de:

- zinco como medida preventiva; e

- zinco como medida de tratamento.

Obtivemos os seguintes resultados:

Zinco para prevenção

Comparado ao placebo, o uso de zinco pode fazer pouca ou nenhuma diferença na prevenção de resfriados (9 estudos, 1.449 pessoas). O zinco preventivo provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença na duração do resfriado caso a pessoa já tenha se contaminado (3 estudos, 740 participantes) e pode fazer pouca ou nenhuma diferença na gravidade dos sintomas (2 estudos, 101 pessoas). Efeitos colaterais negativos foram relatados por pessoas que tomaram zinco ou placebo; alterações no paladar e desconforto estomacal foram os mais comuns.

Zinco para tratamento

O zinco usado para o tratamento de um resfriado pode reduzir o tempo de duração dos sintomas em cerca de dois dias, quando comparado ao placebo (8 estudos, 972 pessoas). No entanto, temos pouca confiança nas evidências que sustentam essa conclusão. Não está claro se o zinco faz diferença na gravidade dos sintomas de resfriado (2 estudos, 261 pessoas). Efeitos colaterais negativos foram relatados com mais frequência por aqueles que tomaram zinco para tratar o resfriado, em comparação com os que tomaram placebo; alterações no paladar e desconforto estomacal foram os mais comuns. Estudos que administraram zinco intranasal não relataram nenhum caso de anosmia (perda do olfato), mas informações sobre efeitos colaterais específicos são incertas.

Quais são as limitações das evidências?
Nossa confiança nas evidências é principalmente baixa a muito baixa, e os resultados de pesquisas futuras podem ser diferentes dos resultados desta revisão. Vários fatores reduziram essa confiança. Primeiramente, alguns estudos não relataram adequadamente como os participantes foram distribuídos nos grupos, o que significa que as diferenças poderiam ser devidas a características dos participantes, e não ao tratamento. Em segundo lugar, alguns estudos usaram formas muito diferentes de administrar os tratamentos. Por fim, devido às grandes diferenças entre os estudos, é provável que mais pesquisas sejam necessárias antes que se possam tirar conclusões definitivas.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?
Estas evidências estão atualizadas até 22 de março de 2023.

Nault D, Machingo TA, Shipper AG, Antiporta DA, Hamel C, Nourouzpour S, Konstantinidis M, Phillips E, Lipski EA, Wieland LS

Os antidepressivos ajudam as pessoas com dores lombares inespecíficas e dores nas pernas relacionadas com a coluna?

3 months 1 week ago
Mensagens-chave

- Em comparação com um placebo (comprimido inativo ou "falso"), os inibidores da recaptação da serotonina e da norepinefrina (uma classe de antidepressivos) proporcionam provavelmente pequenas reduções na intensidade da dor e melhorias triviais na função em pessoas com lombalgia. Algumas pessoas poderão sentir efeitos indesejáveis quando tomam estes medicamentos.

- Comparados com um comprimido placebo, os antidepressivos tricíclicos (uma classe de antidepressivos) proporcionam provavelmente pequenas melhorias na função em pessoas com dores lombares, mas têm provavelmente pouco ou nenhum efeito na intensidade da dor.

- Não temos certezas quanto aos efeitos de qualquer antidepressivo no tratamento das dores nas pernas relacionadas com a coluna.

O que são as dores lombares e as dores nas pernas relacionadas com a coluna vertebral?

A dor lombar é uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo. A maior parte dos casos de lombalgia são designados "inespecíficos" porque não são causados por uma lesão evidente da coluna vertebral. Muitas pessoas com dores lombares também sentem dores que irradiam para a perna.

Como é que os antidepressivos tratam dores lombares e dores nas pernas relacionadas com a coluna?

Os antidepressivos são um grupo de medicamentos que foram originalmente desenvolvidos para tratar a depressão. As classes mais comuns são os inibidores da recaptação da serotonina e da norepinefrina, os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e os antidepressivos tricíclicos. Pensa-se que os antidepressivos aliviam a dor bloqueando os sinais de dor no sistema nervoso. Algumas pessoas que tomam antidepressivos podem sentir efeitos indesejáveis, como boca seca e náuseas.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir se os antidepressivos são mais eficazes do que um comprimido placebo, os cuidados habituais ou nenhum tratamento, no alívio da dor e no aumento da função em pessoas com dor lombar ou dor nas pernas relacionada com a coluna. Também analisámos se os antidepressivos estavam associados a efeitos indesejáveis.

O que fizemos?

Procurámos estudos que compararam antidepressivos com um comprimido placebo, tratamento padrão ou nenhum tratamento, em pessoas com dor lombar ou dor nas pernas relacionada com a coluna. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos, classificando a nossa confiança na evidência com base em fatores como os métodos e a dimensão dos estudos.

O que descobrimos?
Esta é uma atualização de uma Revisão Cochrane publicada pela primeira vez em 2008. Encontrámos 26 estudos que envolveram 2.932 pessoas. 18 estudos incluíram 2.535 pessoas com dor lombar; sete estudos incluíram 329 pessoas com dor nas pernas relacionada com a coluna, e um estudo incluiu 68 pessoas com qualquer uma das condições. A idade média dos participantes variava entre os 27 e os 59 anos. Os participantes apresentavam sintomas "crónicos" (com duração superior a 3 meses) em 62% dos estudos. Os períodos de estudo duraram de 1 dia a 6 meses. Os estudos investigaram os inibidores da recaptação da serotonina e da norepinefrina, os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, os antidepressivos tricíclicos, os antidepressivos tetracíclicos ou outros tipos de antidepressivos (agrupados como "outros antidepressivos"), todos comparados com um comprimido placebo. Os estudos foram realizados em todo o mundo, mas a maioria foi efetuada em países com rendimentos elevados, incluindo os EUA, o Reino Unido, a França, o Japão e a Austrália. Quase metade dos estudos incluídos foram financiados por empresas farmacêuticas.

Resultados principais

Descobrimos que os inibidores da recaptação da serotonina e da norepinefrina provavelmente proporcionam pequenas reduções na intensidade da dor e melhorias triviais na função em pessoas com dor lombar.

Também descobrimos que os antidepressivos tricíclicos provavelmente proporcionam pequenas melhorias na função, mas é pouco provável que reduzam a intensidade da dor em pessoas com lombalgia.

Não sabemos se os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, os antidepressivos tetracíclicos ou outros antidepressivos reduzem a intensidade da dor e melhoram a função em pessoas com lombalgia.

Para as pessoas com dores nas pernas relacionadas com a coluna vertebral, não sabemos se algum antidepressivo reduz a dor e aumenta a função.

Os inibidores da recaptação da serotonina e da norepinefrina aumentam provavelmente o risco de sofrer efeitos indesejáveis. Não é claro se as outras classes de antidepressivos aumentam o risco de efeitos indesejáveis e de acontecimentos indesejáveis graves.

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança na evidência para os inibidores da recaptação da serotonina e da norepinefrina e para os antidepressivos tricíclicos é apenas moderada porque nem todos os estudos forneceram dados sobre tudo o que nos interessava.

Temos pouca ou nenhuma confiança no resto da evidência desta revisão porque nem todos os estudos forneceram dados sobre tudo o que nos interessava, os estudos eram muito pequenos e não havia estudos suficientes para termos a certeza sobre os resultados dos nossos resultados de interesse.

Os resultados de estudos futuros podem diferir dos resultados desta revisão.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

Esta revisão atualiza a nossa revisão anterior. A evidência encontra-se atualizada até novembro de 2024.

Ferraro MC, Urquhart DM, Ferreira GE, Wewege MA, Abdel Shaheed C, Traeger AC, Hoving JL, Visser EJ, McAuley JH, Cashin AG

Quais são os benefícios e riscos dos diferentes tratamentos para neoplasia intraepitelial anal (células anormais no revestimento do ânus e da pele perianal)?

3 months 1 week ago
Mensagens principais

• Vários tratamentos para neoplasia intraepitelial anal (NIA) estão disponíveis. Nenhuma delas foi comprovadamente melhor em termos de remoção da neoplasia intraepitelial anal ou prevenção do retorno da doença.

• No geral, poucas pessoas com neoplasia intraepitelial anal desenvolverão câncer anal. No entanto, pessoas que recebem tratamento para neoplasia intraepitelial anal têm menor risco de desenvolver câncer anal.

O que é neoplasia intraepitelial anal?

A NIA é uma condição rara no tecido anal ou na mucosa anal (o tecido úmido que reveste o canal anal) causada pela infecção pelo papilomavírus humano. No entanto, certos grupos populacionais têm maior risco de neoplasia intraepitelial anal, incluindo pessoas vivendo com HIV, homens que fazem sexo com homens e pessoas imunossuprimidas (ou seja, quando o sistema imunológico está mais fraco do que o normal). A neoplasia intraepitelial anal geralmente não apresenta sintomas, mas pode causar coceira, sangramento ou sensação de massa na região anal. A NIA não é câncer, mas acredita-se que as células anormais podem evoluir para câncer anal (carcinoma de células escamosas).

Como é tratada a neoplasia intraepitelial anal?

Existem vários tratamentos para neoplasia intraepitelial anal. Os tratamentos envolver a remoção cirúrgica ou destruído com calor por dispositivos de coagulação infravermelha ou eletrocauterização (ou seja, ferramentas que usam calor ou eletricidade para queimar, selar ou destruir tecidos com segurança). A neoplasia intraepitelial anal também pode ser tratada com pomadas tópicas (géis ou cremes aplicados localmente) com imiquimode, um medicamento que estimula o sistema imunológico, ou pomada tópica de fluorouracila, que interrompe o crescimento das células da neoplasia intraepitelial anal.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir quais tratamentos são melhores para remover neoplasia intraepitelial anal, prevenir o desenvolvimento de câncer anal e remover o papilomavírus humano. Queríamos também saber se os tratamentos causam algum efeito indesejado.

O que fizemos?

Buscamos estudos que investigassem e comparassem diferentes tratamentos para neoplasia intraepitelial anal e o desenvolvimento de câncer. Comparamos e sintetizamos os resultados e avaliamos nossa confiança na evidência com base em fatores como métodos de estudo, precisão e tamanhos de estudo.

O que encontramos?

Encontramos cinco estudos elegíveis para inclusão, envolvendo 4.907 participantes. Todos os participantes dos estudos eram pessoas vivendo com HIV. A maioria eram homens com idade média de 45 a 51 anos. Os estudos foram conduzidos nos EUA, Espanha, Reino Unido e Holanda.

Os principais resultados vieram de um estudo comparando tratamentos guiados por anuscopia de alta resolução (onde um poderoso dispositivo de ampliação é usado para localizar áreas problemáticas dentro ou ao redor do ânus) ao monitoramento ativo. O estudo incluiu 4.446 participantes e seu foco principal foi o desenvolvimento do câncer anal. Os pesquisadores descobriram que o número de pessoas com neoplasia intraepitelial anal que desenvolvem câncer anal é baixo, mas também que as pessoas que receberam tratamento para neoplasia intraepitelial anal tiveram um risco menor de desenvolver câncer anal do que aquelas no grupo de monitoramento ativo. Contudo, as evidências são muito incertas.

O estudo também perguntou a 124 pessoas sobre sua qualidade de vida relacionada com a saúde enquanto participavam do estudo. Os pesquisadores descobriram que aqueles no grupo de monitoramento ativo relataram uma piora nas funções psicológicas nos 28 dias após a adesão ao estudo, enquanto as pessoas no grupo de tratamento não relataram nenhuma mudança nas medidas de qualidade de vida no mesmo período. Contudo, as evidências são muito incertas.

Dois por cento (43 de 2.227) dos participantes no grupo de tratamento e 0,2% (4 de 2.219) no grupo de monitoramento ativo relataram eventos indesejados, principalmente dor leve. Contudo, as evidências são muito incertas.

O estudo não avaliou outros desfechos importantes nos quais estávamos interessados, incluindo a remoção de neoplasia intraepitelial anal, a remoção do papilomavírus humano, se a neoplasia intraepitelial anal se tornou menos grave ou a recorrência de neoplasia intraepitelial anal.

Detalhes sobre tratamentos e resultados nos outros quatro estudos estão disponíveis na revisão.

Quais são as limitações das evidências?

Não estamos confiantes nas evidência porque todos os participantes dos estudos eram pessoas vivendo com HIV, enquanto a pergunta que queríamos responder era mais ampla. Os estudos também não avaliaram todos os desfechos nos quais estávamos interessados.

Quão atual é essa evidência?

Esta revisão atualiza a revisão Cochrane anterior sobre tratamentos para neoplasia intraepitelial do canal anal. Esta evidência é atual até abril de 2025.

Pedersen TB, Pachler FR, Rosenberg J, Andresen K

O que influencia as pessoas a financiar, fornecer e comparecer a exames gerais de saúde?

3 months 1 week ago
Mensagens principais

• As pessoas decidem fazer exames gerais de saúde com base em vários fatores, como estar cientes da importância dos exames gerais de saúde e receber lembretes de familiares, amigos ou profissionais de saúde. Em lugares onde exames gerais de saúde e tratamentos não são gratuitos, recursos como tempo e dinheiro também desempenham um papel. Algumas pessoas evitam exames de saúde gerais porque têm medo de resultados ruins.

• Encontramos menos informações sobre financiadores e provedores de serviços de saúde, por isso não entendemos completamente o que motiva suas decisões sobre financiamento ou realização de exames gerais de saúde.

• As pessoas devem pensar cuidadosamente sobre a necessidade de fazer um check-up geral de saúde, avaliando os prós e os contras e levando em consideração sua própria saúde e situação.

O que são exames gerais de saúde?

Os exames gerais de saúde são exames de saúde de rotina oferecidos a pessoas que se sentem saudáveis, especialmente em países mais ricos. Elas incluem exames para vários tipos de câncer e avaliação do risco das pessoas desenvolverem diabetes ou doenças cardíacas. Acredita-se que esses exames ajudam a identificar riscos ou doenças precocemente para que possam ser tratados ou para que as pessoas possam fazer mudanças em seu estilo de vida. No entanto, pode haver riscos. Por exemplo, as pessoas podem receber um diagnóstico de triagem errado e ter que passar por mais testes e possivelmente tratamento desnecessário. Exames gerais de saúde são caros e pesquisas mostram que eles podem não ser eficazes para prevenir doenças cardíacas.

O que queríamos descobrir?

A demanda por exames gerais de saúde continua alta, mas não sabemos se eles ajudam significativamente a reduzir mortes, câncer e doenças cardíacas. Queríamos entender quais fatores levam formuladores de políticas, gestores e provedores de serviços de saúde, e clientes, a financiar, fornecer e comparecer a exames gerais de saúde.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos em que formuladores de políticas, gestores de saúde, prestadores de serviços de saúde e clientes compartilhassem suas opiniões e experiências. Avaliamos a qualidade de cada estudo individualmente e resumimos os resultados.

O que nós encontramos?

Encontramos 146 estudos e selecionamos 36 deles para analisar. A maioria dos estudos ocorreu em países europeus de alta renda, com um terço em países de renda média da Europa Oriental, Sul e Sudeste Asiático e América Latina. A maioria dos clientes, prestadores de serviços de saúde e formuladores de políticas tinham percepções e experiências semelhantes sobre exames gerais de saúde. Desenvolvemos 22 descobertas e julgamos nossa confiança nelas como alta, moderada, baixa ou muito baixa, indicando a probabilidade de a descoberta representar o que buscamos estudar.

1. Temos grande confiança nas evidência das seguintes descobertas.

• As percepções dos clientes sobre a doença, prevenção e risco afetam a adesão.

• Tanto os prestadores de serviços de saúde quanto os clientes acreditam que as pessoas que realizam exames gerais de saúde precisam ser qualificadas e entender a cultura dos clientes.

2. Temos confiança moderada nas evidência das seguintes descobertas.

• Muitos clientes veem os exames gerais de saúde como uma forma de obter uma avaliação objetivo da saúde, garantias de profissionais de saúde e motivação para uma vida mais saudável.

• Clientes que temem resultados ruins ou que só procuram atendimento quando apresentam sintomas têm menor probabilidade de comparecer.

• Alguns clientes sentem que é um dever para com suas famílias ou a sociedade comparecer a exames de saúde, acreditando que isso ajuda a manter ou melhorar sua saúde.

• A interação com os profissionais de saúde pode incentivar ou desencorajar a participação.

• Disponibilidade, acessibilidade e informações claras são cruciais no processo de tomada de decisão dos clientes.

• Fatores como tempo, dinheiro e seguro saúde afetam a participação das pessoas.

• Os prestadores de serviços de saúde enfrentam barreiras para realizar exames gerais de saúde, como restrições de tempo, escassez de pessoal, recursos limitados, problemas técnicos e processos de reembolso complicados. Alguns acreditam que oferecer exames gerais de saúde em locais como supermercados ou igrejas pode melhorar o acesso.

• Financiadores, gestores, provedores e clientes de assistência médica têm opiniões diferentes sobre o quão benéficas as verificações gerais de saúde realmente são.

• Os prestadores de serviços de saúde e os clientes acreditam que aumentar a conscientização sobre exames gerais de saúde, incluindo seus benefícios e riscos, requer informações claras, sistemas de convite eficazes e esforços educacionais.

3. Temos pouca ou muito pouca confiança nas seguintes descobertas.

• Os clientes preferem uma ampla variedade de testes, enquanto os profissionais de saúde preferem testes mais personalizados, com base nas necessidades da pessoa.

• Para os clientes, explicações claras dos resultados dos testes e recomendações são importantes. Todos concordam que o acompanhamento é essencial para tornar os exames gerais de saúde significativos.

• Os clientes relatam que a origem cultural, as normas sociais, a religião, o gênero e a linguagem moldam a maneira como as pessoas percebem a prevenção e a doença, o que influencia sua decisão de comparecer a exames gerais de saúde.

• Os formuladores de políticas acreditam que um clima político favorável e o apoio de vários grupos são necessários para implementar exames gerais de saúde.

Quais são as limitações das evidências?

Tentamos incluir uma amostra de estudos representando diversas regiões geográficas, cenários e pessoas. No entanto, houveram lacunas na pesquisa, então não conseguimos ter uma visão clara de tudo o que nos interessava. Em particular, as informações sobre financiadores e provedores provavelmente estão incompletas.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

Buscamos estudos em janeiro de 2022 e agosto de 2022. Os estudos que analisamos foram publicados entre 1995 e 2021.

Sommer I, Harlfinger J, Toromanova A, Affengruber L, Dobrescu A, Klerings I, Griebler U, Kien C

A terapia por ondas de choque de baixa intensidade é eficaz e segura para tratar a disfunção erétil?

3 months 2 weeks ago
Mensagens principais
  • A terapia por ondas de choque de baixa intensidade pode melhorar as ereções a longo prazo.

  • A terapia por ondas de choque de baixa intensidade pode melhorar a firmeza e a rigidez do pênis (rigidez peniana) em curto prazo.

  • Efeitos colaterais relacionados ao tratamento e interrupções precoce do tratamento devido a efeitos colaterais são incomuns em curto prazo.

O que é a disfunção erétil?

A disfunção erétil é quando o homem tem dificuldade para ter ou manter uma ereção durante a relação sexual. Ela pode ter várias causas, como outras doenças, uso de medicamentos, cirurgias na próstata, hábitos pouco saudáveis (como fumar, má alimentação e falta de exercícios) e também fatores emocionais, como depressão e ansiedade

Como a disfunção erétil é tratada?

O tratamento pode variar: mudanças no estilo de vida, como praticar exercícios, ter uma dieta saudável e parar de fumar. Uso de medicamentos. Apoio psicológico ou terapia de casal. Outros recursos, como dispositivos, injeções ou cirurgias. Nesta revisão Cochrane, avaliamos um novo método de tratamento usando ondas de choque.

O que é a terapia por ondas de choque?

A terapia de ondas de choque de baixa intensidade usa ondas sonoras para ajudar o sangue a fluir melhor para o pênis, o que pode ajudar nas ereções. É um tratamento simples. O médico usa um pequeno dispositivo em diferentes partes do pênis. O tratamento não dói e não é necessário nenhum medicamento para anestesiar a área. Cada sessão dura entre 15 e 20 minutos. O tratamento acontece várias vezes ao longo de algumas semanas.

O nome “baixa intensidade” significa que as ondas usadas são suaves. Isso é diferente das ondas de choque fortes, usadas para quebrar pedras nos rins.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber se a terapia por ondas de choque funciona melhor do que um tratamento simulado (um aparelho que parece ligado, mas não emite ondas). Avaliamos:

  • se ela melhora as ereções;

  • se os homens interrompem o tratamento antes do fim;

  • se houver algum efeito indesejado;

  • se os pacientes e seus parceiros estão satisfeitos com os resultados do tratamento;

  • se deixa o pênis mais rígido; e

  • se melhora a vida sexual.

O que nós fizemos?

Buscamos todos os estudos que compararam a terapia com ondas de choque versus a simulada, em homens com disfunção erétil. Reunimos os resultados, avaliamos os dados e classificamos a confiança nessas evidências.

O que encontramos?

Encontramos 21 estudos com 1.357 homens que receberam terapia de ondas de choque com baixa intensidade ou tratamento simulado. Esses homens tinham entre 39 e 65 anos e viviam com disfunção erétil havia de 3 a 68 meses.

Principais resultados

Descobrimos que, no curto prazo (3 meses ou menos), a terapia por ondas de choque de baixa intensidade pode ter um pequeno efeito de melhora nas ereções, mas esse efeito pode não ser grande o suficiente para que os homens percebam. Em longo prazo (mais de 3 meses), pode melhorar as ereções. A curto prazo, pode melhorar a rigidez do pênis. Em longo prazo, também pode ter um pequeno efeito na rigidez do pênis, mas esse efeito pode não suficiente para que os homens percebam. Todos os tratamentos foram usados apenas no curto prazo, mas alguns resultados foram relatados no longo prazo. Tanto a curto quanto a longo prazo, a terapia por ondas de choque de baixa intensidade pode ter pouco ou nenhum efeito sobre os efeitos colaterais do tratamento ou da interrupção do tratamento. Não encontramos nenhuma informação sobre a satisfação dos pacientes e seus parceiros com os resultados do tratamento ou sobre suas vidas sexuais.

Quais são as limitações das evidências?

Temos pouca confiança nesses resultados, principalmente porque:

  • os estudos não foram muito bem feitos;

  • as evidências não incluem todos os tipos de pessoas, tratamentos ou desfechos que gostaríamos de avaliar

  • os estudos foram feitos em homens com disfunção erétil e usaram diferentes formas de aplicação de ondas de choque; e

  • os resultados foram muito diferentes em cada estudo.

Nove dos 21 estudos receberam dinheiro de empresas que fabricam os aparelhos. Cinco estudos disseram que não receberam nenhum dinheiro da indústria, e o restante dos estudos não declarou se receberam algum dinheiro ou não.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Esta revisão está atual até 7 de Julho de 2024.

Ergun O, Kim K, Kim MH, Hwang EC, Blair Y, Gudeloglu A, Parekattil S, Dahm P

Tratamento conservador para dor na virilha associada ao exercício

3 months 2 weeks ago

A dor na virilha relacionada ao exercício é comum em esportes que envolvem corrida, chutes e mudanças de direção, como futebol e hóquei. Os atletas podem levar meses para retornar ao esporte e muitas vezes não conseguem voltar ao mesmo nível de desempenho. O médico responsável pelo tratamento geralmente precisa lidar com a combinação de distensões musculares, tendíneas e ligamentares, além de reações de estresse ósseo. O tratamento conservador é a primeira opção. Ele pode começar com repouso inicial. Em seguida, inclui o fortalecimento dos músculos que estabilizam a pelve e as articulações do quadril, além do alongamento dos músculos do quadril. Também pode envolver eletroterapia, como estimulação elétrica transcutânea (TENS), laser e ultrassom. Outras abordagens são a terapia manual e o uso de anti-inflamatórios não esteroides. Em alguns casos, aplicam-se injeções de esteroides. Outra alternativa é a proloterapia, que consiste em injeções de substâncias capazes de estimular a produção de fatores de crescimento e favorecer o reparo do tecido.

Foram incluídos dois ensaios clínicos randomizados, com um total de 122 atletas com dor na virilha relacionada ao exercício. Os participantes tinham entre 18 e 50 anos, e todos, exceto um, eram homens. Todos apresentavam dor na virilha havia pelo menos dois meses. Um estudo mostrou resultados positivos em atletas tratados com terapia por exercícios, que envolveu fortalecimento dos músculos abdominais e do quadril, além de treinamento da coordenação muscular. Esse grupo foi comparado com outro que recebeu fisioterapia convencional, baseada em modalidades passivas, como alongamento, eletroterapia e massagem de fricção transversa. Após 16 semanas do término do tratamento, a terapia por exercícios apresentou melhores resultados para “tratamento bem-sucedido” (avaliado principalmente pela dor) e para o retorno ao esporte no mesmo nível, sem dor na virilha. O segundo estudo comparou o tratamento multimodal (calor, terapia manual e alongamento) com a terapia por exercícios. Não houve diferença significativa entre os grupos em relação ao “tratamento bem-sucedido” ou ao retorno ao esporte. No entanto, entre os atletas que conseguiram voltar, o tratamento multimodal levou a um retorno mais rápido.

As evidências disponíveis se referem apenas a atletas e são limitadas pelo pequeno número de estudos e participantes em cada desfecho. São necessários mais ensaios clínicos randomizados para confirmar esses resultados.

Almeida MO, Silva BNG, Andriolo RB, Atallah ÁN, Peccin MS
Checked
15 hours 24 minutes ago
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